Uma oração

Serei o Jó que achei que iria ser
Se Deus tomasse tudo o que me deu,
E eu não tiver o que eu costumo ter,
“Louvado seja Deus”, diria eu?

Pelo meu cônjuge que me completa,
E pelos filhos sempre a me alegrar,
Por cada dia que finda e que resta,
Será, meu Deus, que eu iria orar?

Em singelezas hoje me deleito,
No sol que raia, na minha visão,
Mas quando o olhar for embaçado e estreito,
Adorarei, Senhor, a ti, ou não?

E se um tumor maligno desponta
E vejo em mim se espalhar e crescer
O carcinoma que à vida afronta
O que minh’alma, ó Deus, irá fazer?

O que possuo, recebi de ti
E de perder tais coisas tenho medo;
Talvez errasse eu menos se, aqui,
A essas coisas não tivesse apego?

Faça que eu me pareça mais com Jó.
Não! Que eu me pareça mais contigo.
Pois tudo muda, tudo muda e só
teu nome, teu nome é firme abrigo.

Autor: Christine Farenhorst Praam
Tradução: Márcio Santana Sobrinho