{"id":47,"date":"2026-03-16T19:10:22","date_gmt":"2026-03-16T19:10:22","guid":{"rendered":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=47"},"modified":"2026-03-16T20:16:38","modified_gmt":"2026-03-16T20:16:38","slug":"oracao-em-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=47","title":{"rendered":"Ora\u00e7\u00e3o em p\u00fablico"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes a vangl\u00f3ria dos episcopais \u00e9 que os membros da igreja oficial v\u00e3o aos seus templos para orar e prestar culto a Deus, mas os dissidentes (os das igrejas livres) simplesmente se re\u00fanem para ouvir serm\u00f5es. Nossa r\u00e9plica a isso \u00e9 que, conquanto possam existir alguns crentes professos culpados deste mal, n\u00e3o \u00e9 verdade quanto aos filhos de Deus que nos cercam, e pessoas desta estirpe espiritual s\u00e3o as \u00fanicas que realmente apreciam a devo\u00e7\u00e3o, em qualquer igreja. Os crentes de nossas igrejas se re\u00fanem para prestar culto a Deus, e n\u00f3s afirmamos, e n\u00e3o hesitamos em afirm\u00e1-lo, que se eleva tanta ora\u00e7\u00e3o verdadeira e aceit\u00e1vel em nossas reuni\u00f5es n\u00e3o-conformistas regulares, como nas melhores e mais pomposas realiza\u00e7\u00f5es da Igreja da Inglaterra.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, se aquela observa\u00e7\u00e3o tiver o prop\u00f3sito de fazer supor que ouvir serm\u00f5es n\u00e3o \u00e9 cultuar a Deus, funda-se em grosseiro engano, porquanto ouvir corretamente o evangelho \u00e9 uma das partes mais nobres da adora\u00e7\u00e3o ao Alt\u00edssimo. \u00c9 um exerc\u00edcio mental em que, quando corretamente praticado, todas as faculdades do homem espiritual s\u00e3o chamadas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de atos de devo\u00e7\u00e3o. Ouvir reverentemente a Palavra exercita a nossa humildade, instrui a nossa f\u00e9, engolfa-nos em raios de fulgente alegria, inflama-nos de amor, inspira-nos zelo, e nos eleva at\u00e9 o c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Muitas vezes um serm\u00e3o tem sido uma esp\u00e9cie de escada de Jac\u00f3 na qual vimos os anjos de Deus subindo e descendo, e a alian\u00e7a de Deus no alto dela. Temos sentido com frequ\u00eancia quando Deus fala atrav\u00e9s dos Seus servos ao \u00edntimo das nossas almas. \u201cEste n\u00e3o \u00e9 outro lugar sen\u00e3o a casa de Deus; e esta \u00e9 a porta dos c\u00e9us.\u201d Temos engrandecido o nome do Senhor e O temos louvado de todo o cora\u00e7\u00e3o, enquanto Ele nos tem falado mediante o Seu Esp\u00edrito, que Ele deu aos homens. Da\u00ed, n\u00e3o existe aquela larga diferen\u00e7a entre a prega\u00e7\u00e3o e a ora\u00e7\u00e3o, que alguns querem que admitamos; pois a primeira parte da reuni\u00e3o funde-se brandamente com a outra, e frequentemente o serm\u00e3o inspira a ora\u00e7\u00e3o e o hino. A verdadeira prega\u00e7\u00e3o \u00e9 uma aceit\u00e1vel adora\u00e7\u00e3o a Deus pela manifesta\u00e7\u00e3o dos Seus atributos graciosos. O testemunho do Seu evangelho, que O glorifica preeminentemente, e ouvir com obedi\u00eancia a verdade revelada, s\u00e3o uma forma aceit\u00e1vel de culto ao Alt\u00edssimo, e talvez uma das mais espirituais de que se pode ocupar a mente humana.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante, como nos diz o velho poeta romano, \u00e9 certo aprender dos nossos inimigos, e, portanto, talvez seja poss\u00edvel que os nossos oponentes lit\u00fargicos nos tenham indicado o que em alguns casos ocupa m\u00e1 coloca\u00e7\u00e3o em nossos cultos p\u00fablicos. \u00c9 de temer que os nossos exerc\u00edcios espirituais n\u00e3o sejam, em todos os casos, modelados da melhor forma, ou apresentados da maneira mais recomend\u00e1vel. H\u00e1 sal\u00f5es de culto em que as s\u00faplicas n\u00e3o s\u00e3o nem t\u00e3o devotas, nem t\u00e3o fervorosas como desejamos; noutros locais o fervor vem t\u00e3o aliado \u00e0 ignor\u00e2ncia, e a devo\u00e7\u00e3o t\u00e3o desfigurada pelo linguajar bomb\u00e1stico, que nenhum crente inteligente pode entrar para partilhar do culto com prazer. Orar no Esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 praticado universalmente entre n\u00f3s, como tamb\u00e9m nem todos oram com o entendimento e com o cora\u00e7\u00e3o. H\u00e1 lugar para melhoramento, e em algumas partes h\u00e1 imperiosa exig\u00eancia disso. Permitam-me, pois, amados irm\u00e3os, acautelar-vos contra o perigo de estragarem os cultos com as suas ora\u00e7\u00f5es. Tomem solenemente a resolu\u00e7\u00e3o de que todas as atividades do santu\u00e1rio haver\u00e3o de ser da melhor qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fiquem certos de que a ora\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea \u00e9 a mais b\u00edblica, e deve ser a mais excelente forma de prece p\u00fablica<\/em>. Se perderem a f\u00e9 no que fazem, nunca o far\u00e3o bem. Portanto, ponham na cabe\u00e7a que perante o Senhor voc\u00eas est\u00e3o prestando um culto de maneira autorizada pela Palavra de Deus e aceita pelo Senhor. A express\u00e3o \u201cora\u00e7\u00f5es para ler\u201d a que estamos acostumados, n\u00e3o se acha na Escritura Sagrada, rica de palavras como ela \u00e9 para a transmiss\u00e3o de pensamento religioso; e a frase n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 porque a coisa de que trata nunca teve exist\u00eancia. Onde, nos escritos dos ap\u00f3stolos se acha a ideia pura e simples de uma liturgia? Nas assembleias dos primeiros crist\u00e3os a ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se restringia a nenhuma f\u00f3rmula de palavras. Tertuliano escreve: \u201cOramos <em>sem ponto <\/em>porque do cora\u00e7\u00e3o\u201d. Justino M\u00e1rtir descreve o ministro dirigente fazendo ora\u00e7\u00e3o \u201cde acordo com sua capacidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria dif\u00edcil descobrir quando e onde come\u00e7aram as liturgias. Sua introdu\u00e7\u00e3o foi gradativa e, segundo cremos, em paralelo com o decl\u00ednio da pureza da igreja. A introdu\u00e7\u00e3o delas entre os n\u00e3o-conformistas \u2014 isto \u00e9, entre as igrejas livres, n\u00e3o oficiais \u2014 assinalaria a era do nosso decl\u00ednio e queda. O assunto me tenta a dilatar-me, mas n\u00e3o \u00e9 o ponto em foco, e, portanto, passo adiante, anotando apenas que voc\u00eas encontrar\u00e3o a mat\u00e9ria referente \u00e0s liturgias habilmente tratada pelo Dr. John Owen, a quem far\u00e3o bem em consultar.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Compete-nos provar a superioridade da ora\u00e7\u00e3o improvisada, fazendo-a mais espiritual e mais fervorosa do que a devo\u00e7\u00e3o lit\u00fargica formal<\/em>. \u00c9 uma l\u00e1stima quando o ouvinte \u00e9 levado a observar: \u201cO nosso ministro prega muito melhor do que ora\u201d. Isto n\u00e3o est\u00e1 de acordo com o modelo de nosso Senhor. Ele falava como nenhum homem jamais falou; e quanto \u00e0s Suas ora\u00e7\u00f5es, tanto impressionaram os Seus disc\u00edpulos que eles disseram: \u201cSenhor, ensina-nos a orar\u201d. Todas as nossas faculdades devem concentrar as suas energias, e o homem completo deve elevar-se ao ponto m\u00e1ximo do seu vigor, quando estiver orando em p\u00fablico, sendo nesse \u00ednterim batizado na alma e no esp\u00edrito com a Sua sagrada influ\u00eancia. Mas a fala desalinhada, negligente e sem vida \u00e0 guisa de ora\u00e7\u00e3o, feita para encher certo espa\u00e7o de tempo durante o culto, \u00e9 t\u00e9dio para o homem e abomina\u00e7\u00e3o para Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a ora\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea tivesse sido universalmente de categoria mais elevada, nunca se teria pensado numa liturgia, e as f\u00f3rmulas de ora\u00e7\u00f5es atuais n\u00e3o t\u00eam melhor desculpa do que a debilidade das devo\u00e7\u00f5es improvisadas. O segredo est\u00e1 em que n\u00e3o somos realmente devotos de cora\u00e7\u00e3o, como dever\u00edamos ser. A habitual comunh\u00e3o com Deus deve ser mantida, ou sen\u00e3o as nossas ora\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ser\u00e3o ins\u00edpidas ou formalistas. Se n\u00e3o houver degelo das geleiras nas escarpas da montanha, n\u00e3o haver\u00e1 arroios descendo para animar a plan\u00edcie. A ora\u00e7\u00e3o em secreto \u00e9 o terreno amanhado para as nossas ministra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. E n\u00e3o podemos negligenci\u00e1-la por muito tempo sem ficarmos desajeitados quando estivermos diante do povo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>As nossas ora\u00e7\u00f5es nunca devem rastejar; devem al\u00e7ar v\u00f4o e subir. Temos necessidade de uma estrutura mental celeste<\/em>. As nossas peti\u00e7\u00f5es dirigidas ao trono da gra\u00e7a devem ser solenes e humildes, n\u00e3o petulantes e ostensivas, nem formalistas e negligentes. A maneira coloquial de falar est\u00e1 deslocada, diante do Senhor; devemos inclinar-nos reverentemente e com o mais profundo temor. Podemos falar sem embara\u00e7o com Deus, mas Ele ainda est\u00e1 no c\u00e9u e n\u00f3s na terra, e devemos evitar toda presun\u00e7\u00e3o. Na s\u00faplica nos colocamos peculiarmente diante do trono do Infinito, e, como o cortes\u00e3o assume no pal\u00e1cio real outros ares e outros modos, diferentes dos que exibe a seus colegas da corte, assim deve ser conosco.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas igrejas da Holanda observamos que, t\u00e3o logo o ministro come\u00e7a a pregar, todos os homens p\u00f5em o chap\u00e9u, mas no instante em que passa a orar, todos tiram o chap\u00e9u. Este era o costume nas igrejas puritanas mais antigas da Inglaterra, e perdurou com os batistas. Usavam seus gorros durante as partes do culto que entendiam que n\u00e3o eram propriamente atos de adora\u00e7\u00e3o, mas os tiravam lago que havia uma direta aproxima\u00e7\u00e3o a Deus, no hino ou na ora\u00e7\u00e3o. Considero impr\u00f3pria a pr\u00e1tica, e err\u00f4neo o seu motivo. Tenho insistido em que a distin\u00e7\u00e3o entre orar e ouvir a Palavra n\u00e3o \u00e9 grande, e estou certo de que ningu\u00e9m iria propor retorno ao velho costume ou \u00e0 opini\u00e3o da qual ele \u00e9 indicativo. Contudo, h\u00e1 uma diferen\u00e7a, e, considerando que na ora\u00e7\u00e3o estamos falando diretamente com Deus, mais do que procurando a edifica\u00e7\u00e3o dos nossos semelhantes, temos que tirar os sapatos dos p\u00e9s, pois o lugar em que estamos pisando \u00e9 terra santa.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Que somente o Senhor seja o objeto das nossas ora\u00e7\u00f5es<\/em>. Cuidado para n\u00e3o ficarem com um olho posto nos ouvintes; cuidado para n\u00e3o se tornarem ret\u00f3ricos a fim de agradarem as suas audi\u00eancias. A ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser transformada num \u201cserm\u00e3o indireto\u201d. \u00c9 pouco menos que blasf\u00eamia fazer da devo\u00e7\u00e3o uma oportunidade para exibi\u00e7\u00e3o. As belas ora\u00e7\u00f5es geralmente s\u00e3o muito \u00edmpias. Na presen\u00e7a do Senhor dos Ex\u00e9rcitos n\u00e3o fica bem o pecador fazer desfilar a plumagem e os atavios de um linguajar extravagante, tendo em vista receber aplauso dos seus semelhantes, como ele mortais. Os hip\u00f3critas que se atrevem a fazer isso t\u00eam sua recompensa, mas esta \u00e9 de causar pavor. Uma pesada senten\u00e7a de condena\u00e7\u00e3o foi imposta a um ministro quando se disse lisonjeiramente que a sua ora\u00e7\u00e3o foi a mais eloquente de todas as ora\u00e7\u00f5es j\u00e1 apresentada a uma igreja de Boston. Podemos ter o objetivo de estimular os anseios e aspira\u00e7\u00f5es dos que nos ouvem orar; mas cada palavra e cada pensamento devem ser dirigidos a Deus, devendo tocar nas pessoas presentes s\u00f3 o bastante para lev\u00e1-las e suas necessidades \u00e0 presen\u00e7a do Senhor. Lembrem-se das pessoas em suas ora\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o modelem as suas s\u00faplicas com vistas a obter a sua estima. Olhem para o alto; olhem para o alto com os dois olhos. .<\/p>\n\n\n\n<p><em>Evitem todas as vulgaridades na ora\u00e7\u00e3o<\/em>. Admito que ouvi algumas delas, mas n\u00e3o seria proveitoso repeti-las; especialmente quando se tornam cada dia menos frequentes. Raramente topamos agora com as vulgaridades na ora\u00e7\u00e3o que outrora eram muito comuns nas reuni\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o dos metodistas, provavelmente muito mais comuns nos boatos do que na realidade. As pessoas sem instru\u00e7\u00e3o t\u00eam que orar do seu jeito, quando t\u00eam fervor, e a sua linguagem muitas vezes choca os exigentes, sen\u00e3o os devotos; mas essa permiss\u00e3o tem que ser dada, e se o esp\u00edrito for evidentemente sincero, podemos perdoar as express\u00f5es toscas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez, numa reuni\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o, ouvi um pobre homem orando assim: \u201cSenhor, toma conta destes jovens nos dias de festa, pois sabes, Senhor, como os inimigos deles os espreitam como o gato espreita os ratos\u201d. Alguns zombaram da express\u00e3o, mas a mim me pareceu natural e significativa, considerando a pessoa que a empregou.<\/p>\n\n\n\n<p>Um pouco de instru\u00e7\u00e3o com delicadeza, e uma ou duas sugest\u00f5es geralmente impedem a repeti\u00e7\u00e3o de coisas objet\u00e1veis em casos assim, mas n\u00f3s, que ocupamos o p\u00falpito, precisamos ter o cuidado de ser bem claros. O bi\u00f3grafo daquele not\u00e1vel pregador metodista americano, Jacob Gruber, menciona como exemplo da sua presen\u00e7a de esp\u00edrito, que, depois de ter ouvido um jovem ministro calvinista atacar o seu credo, foi-lhe solicitado concluir com ora\u00e7\u00e3o, e, entre outras peti\u00e7\u00f5es, orou que o Senhor aben\u00e7oasse o jovem que estivera pregando, e lhe concedesse muita gra\u00e7a, \u201cpara que o seu cora\u00e7\u00e3o ficasse mole como a sua cabe\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixando de lado o mau gosto de tal animadvers\u00e3o p\u00fablica contra um colega, qualquer pessoa cuja mente funcione bem ver\u00e1 que o trono do Alt\u00edssimo n\u00e3o \u00e9 lugar para a emiss\u00e3o desses gracejos vulgares. Muito provavelmente o jovem orador mereceu castigo por sua ofensa ao amor crist\u00e3o, mas o mais velho pecou dez vezes mais com sua falta de rever\u00eancia. Ao Rei dos reis \u00e9 cab\u00edvel dirigir palavras seletas, n\u00e3o as que foram polu\u00eddas por l\u00ednguas grosseiras.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Outro defeito que se deve evitar na ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a irreverente e repugnante superabund\u00e2ncia de palavras afetuosas<\/em>. Quando express\u00f5es como \u201cQuerido Senhor\u201d, \u201cBendito Senhor\u201d e \u201cDoce Senhor\u201d aparecem e tornam a aparecer como v\u00e3s repeti\u00e7\u00f5es, est\u00e3o entre as piores n\u00f3doas. Devo confessar que n\u00e3o causariam repulsa \u00e0 minha mente as palavras \u201cQuerido Jesus\u201d, se sa\u00edssem dos l\u00e1bios de um Rutherford, ou de um Hawker, ou de um Herbert; mas quando ou\u00e7o express\u00f5es amig\u00e1veis e afetuosas desgastadas por pessoas nada not\u00e1veis por sua espiritualidade, inclino-me a desejar que possam, de uma forma ou de outra, chegar a ter melhor entendimento da verdadeira rela\u00e7\u00e3o existente entre o homem e Deus. A palavra \u201cquerido\u201d, dado o seu uso habitual, veio a ser t\u00e3o comum, t\u00e3o fraca e, em alguns casos, t\u00e3o afetada e tola, que misturar com ela as ora\u00e7\u00f5es n\u00e3o produz edifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe a mais forte obje\u00e7\u00e3o \u00e0 constante repeti\u00e7\u00e3o da palavra \u201cSenhor\u201d, que ocorre nas primeiras ora\u00e7\u00f5es dos jovens conversos, e mesmo entre os estudantes. As palavras \u201c\u00d3 Senhor! \u00d3 Senhor! \u00d3 Senhor!\u201d nos afligem quando as ouvimos t\u00e3o perpetuamente repetidas. \u201cN\u00e3o tomar\u00e1s o nome do Senhor teu Deus em v\u00e3o\u201d, \u00e9 um grande mandamento, e, embora se possa quebrar a lei inconscientemente, quebr\u00e1-la ainda \u00e9 pecado, e grave. O nome de Deus n\u00e3o deve ser um tapa-buracos, para suprir a nossa pobreza de vocabul\u00e1rio. Tomem cuidado para empregar com a m\u00e1xima rever\u00eancia a nome do infinito Jeov\u00e1. Em seus escritos sagrados, os judeus, ou deixam espa\u00e7o em branco no lugar da palavra \u201cJeov\u00e1\u201d, ou ent\u00e3o escrevem a palavra \u201cAdonai\u201d, porque na concep\u00e7\u00e3o deles aquele nome santo \u00e9 demasiado sagrado para ser usado de modo comum. N\u00e3o precisamos ser supersticiosos assim, mas seria bom sermos escrupulosamente reverentes. A profus\u00e3o de \u201cOhs!\u201d e de outras interjei\u00e7\u00f5es bem pode ser dispensada; os jovens pregadores frequentemente est\u00e3o em falta aqui.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Evitem aquele tipo de ora\u00e7\u00e3o que pode ser denominada<\/em> \u2014 embora o assunto seja tal que sobre ele a l\u00edngua n\u00e3o nos deu muitos termos \u2014 <em>uma esp\u00e9cie de perempt\u00f3ria exig\u00eancia feita a Deus<\/em>. \u00c9 deleit\u00e1vel ouvir um homem lutar com Deus e dizer: \u201cN\u00e3o te deixarei ir, se me n\u00e3o aben\u00e7oares\u201d, mas isso tem que ser dito suavemente, e n\u00e3o com esp\u00edrito de bravata, como se pud\u00e9ssemos mandar no Senhor de tudo quanto h\u00e1, e exigir-Lhe b\u00ean\u00e7\u00e3os. Lembrem-se, ainda se trata de um homem que est\u00e1 lutando, conquanto tenha a permiss\u00e3o de lutar com o eterno EU SOU. Jac\u00f3 \u201cmanquejava da coxa\u201d depois daquele santo conflito noturno, para faz\u00ea-lo ver que Deus \u00e9 terr\u00edvel, e que o poder com o qual prevalecera n\u00e3o jazia nele pr\u00f3prio. Somos ensinados a dizer, \u201cPai nosso\u201d, mas ainda \u00e9 \u201cPai nosso, que est\u00e1s nos c\u00e9us\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Familiaridade pode haver, mas familiaridade santa; intrepidez, mas a intrepidez que brota da gra\u00e7a e que \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo; n\u00e3o a intrepidez do rebelde que anda com fronte de bronze na presen\u00e7a do seu rei ofendido, mas a intrepidez da crian\u00e7a que teme porque ama, e ama porque teme. Jamais caiam no ingl\u00f3rio modo de dirigir-se a Deus com impertin\u00eancia. Ele n\u00e3o deve ser assaltado como se fosse um advers\u00e1rio, mas deve ser invocado como nosso Senhor e Deus. Sejamos humildes e submissos de esp\u00edrito, e assim oremos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Orem quando anunciam que oram, e n\u00e3o falem disso, apenas<\/em>. Os homens de neg\u00f3cio dizem: \u201cUm lugar para cada coisa, e cada coisa em seu lugar\u201d. Preguem no serm\u00e3o e orem na ora\u00e7\u00e3o. Fazer disserta\u00e7\u00f5es sobre a nossa necessidade de recorrer \u00e0 ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 orar. Por que os homens n\u00e3o se p\u00f5em a orar de uma vez? \u2014 por que ficam procurando evasivas? Em lugar de dizer o que deveriam e gostariam de fazer, por que n\u00e3o p\u00f5em m\u00e3os \u00e0 obra, em nome de Deus, e o fazem? Com decidido fervor, dedique-se cada um \u00e0 intercess\u00e3o, e volte o rosto para o Senhor. Rogue a Deus que supra as grandes e constantes necessidades da igreja, e n\u00e3o deixe de instar, com devoto fervor, pelas necessidades especiais da hora e do p\u00fablico presentes. Mencione os enfermos, os pobres, os moribundos, o gentio, o judeu, e toda classe de pessoas esquecidas, \u00e0 medida que constranjam o seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ore pelas pessoas da sua igreja como sendo santas e pecadoras \u2014 n\u00e3o como se fossem todas santas. Mencione os jovens e os idosos, os cuidadosos e os negligentes; os consagrados e os infi\u00e9is. Nunca vire para a direita ou para a esquerda, mas continue arando, seguindo os sulcos da ora\u00e7\u00e3o veraz. Sejam as suas confiss\u00f5es de pecado e as suas a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7a sinceras e espec\u00edficas; e sejam as suas peti\u00e7\u00f5es apresentadas como se voc\u00ea de fato cresse em Deus e n\u00e3o duvidasse da efic\u00e1cia da ora\u00e7\u00e3o. Digo isto porque muitos oram de maneira t\u00e3o formal que levam os observadores a conclu\u00edrem que os que as fazem acham que orar \u00e9 uma coisa muito decente, mas \u00e9, afinal, uma atividade bem pobre e duvidosa, quanto a quaisquer resultados pr\u00e1ticos. Ore como algu\u00e9m que experimentou e provou o seu Deus, e portanto vem renovar as suas peti\u00e7\u00f5es com indubit\u00e1vel confian\u00e7a. E lembre-se de orar a Deus durante a ora\u00e7\u00e3o toda, e jamais passe a fazer discurso ou prega\u00e7\u00e3o enquanto ora \u2014 e muito menos, como fazem alguns \u2014 a ministrar censura e a fazer queixas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Como regra geral, se for convidado a pregar, dirija voc\u00ea mesmo a ora\u00e7\u00e3o<\/em>. E se voc\u00ea gozar de alta estima no minist\u00e9rio, como espero que aconte\u00e7a, determine-se, com grande cortesia, mas com igual firmeza, a resistir \u00e0 pr\u00e1tica da escolha de homens para orarem, com a ideia de honr\u00e1-los dando-lhes algo para fazer. As nossas devo\u00e7\u00f5es p\u00fablicas nunca devem ser rebaixadas a oportunidades para aten\u00e7\u00f5es sociais. De vez em quando ou\u00e7o chamar a ora\u00e7\u00e3o e o c\u00e2ntico de hinos de \u201cservi\u00e7os preliminares\u201d, como se fossem apenas um pref\u00e1cio do serm\u00e3o. Espero que isso seja raro entre n\u00f3s \u2014 se fosse comum, seria para nossa maior vergonha. Esfor\u00e7o-me invariavelmente para encarregar-me eu mesmo de toda a ordem do culto, para o meu bem, e creio que tamb\u00e9m para o bem do povo. N\u00e3o acredito que \u201cqualquer pessoa serve para fazer ora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, senhores, \u00e9 minha solene convic\u00e7\u00e3o que a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das mais importantes, \u00fateis e honor\u00e1veis partes do culto, e que deve at\u00e9 merece maior considera\u00e7\u00e3o do que o serm\u00e3o. N\u00e3o devemos chamar para orar pessoas de todo e qualquer tipo e, depois, fazer dentre elas a sele\u00e7\u00e3o do mais capaz para pregar. Pode suceder que, ou por fraqueza, ou por se tratar de ocasi\u00e3o especial, seja um al\u00edvio para o ministro ter algu\u00e9m que tome o seu lugar para elevar a ora\u00e7\u00e3o. Mas se o Senhor lhe deu capacidade para amar o seu trabalho, n\u00e3o muitas vezes, nem prontamente, voc\u00ea far\u00e1 essa parte por meio de procurador. Se delegar todo o culto a outro, que o fa\u00e7a a algu\u00e9m em cuja espiritualidade e adequado preparo voc\u00ea tenha a mais plena confian\u00e7a. Mas, pegar de improviso um irm\u00e3o menos dotado, e empurr\u00e1-lo para que realize pessoalmente os atos de devo\u00e7\u00e3o, \u00e9 vergonhoso.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cAo <em>c\u00e9u<\/em> n\u00f3s serviremos com menor respeito<br>do que o fazemos com nossas toscas pessoas?\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Designe o mais competente para orar, e se houver falha, antes seja no serm\u00e3o do que na visita ao c\u00e9u. Que o infinito Senhor seja servido com o que temos de melhor; que a ora\u00e7\u00e3o dirigida \u00e0 Majestade divina seja cuidadosamente avaliada, e ent\u00e3o apresentada com todos os poderes de um cora\u00e7\u00e3o desperto e de um entendimento espiritual. Aquele que, pela comunh\u00e3o com Deus, foi preparado para ministrar ao povo, \u00e9 normalmente de todos os presentes o mais id\u00f4neo para aplicar-se \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. Elaborar um programa que coloca outro irm\u00e3o em seu lugar, \u00e9 macular a harmonia do culto, privar ao pregador uma fun\u00e7\u00e3o que o encorajaria para o serm\u00e3o, e em muitos casos sugere compara\u00e7\u00f5es entre uma parte do culto e outra, coisa que n\u00e3o se deve tolerar. Se irm\u00e3os despreparados h\u00e3o de ser mandados ao p\u00falpito para fazer a minha ora\u00e7\u00e3o no meu lugar quando me compete pregar, n\u00e3o vejo por que n\u00e3o me permitir que ore e depois me retire para deixar que aqueles irm\u00e3os preguem. N\u00e3o consigo ver nenhuma raz\u00e3o para privar-me do mais santo, mais doce e mais proveitoso servi\u00e7o de que o meu Senhor me incumbiu. Se eu puder fazer a escolha, preferirei dispensar o serm\u00e3o a dispensar a ora\u00e7\u00e3o. Irm\u00e3os, falei tanto assim para faz\u00ea-los fixar o fato de que necessitam ter em alta estima a ora\u00e7\u00e3o p\u00fablica, e busquem do Senhor os dons e gra\u00e7as necess\u00e1rias para efetu\u00e1-la bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Os que desprezam toda ora\u00e7\u00e3o improvisada, provavelmente apanhar\u00e3o estas observa\u00e7\u00f5es e as usar\u00e3o contra ela, mas posso assegurar-lhes que os defeitos contra os quais vos adverti n\u00e3o s\u00e3o comuns entre n\u00f3s, e na verdade est\u00e3o quase extintos. Tamb\u00e9m \u00e9 fato que o trope\u00e7o causado por eles, mesmo no pior dos casos, nunca foi t\u00e3o grande como o causado, muitas vezes, pela maneira de realizar o culto, usando a liturgia formal. Com muit\u00edssima frequ\u00eancia o culto na igreja \u00e9 desenvolvido apressadamente, com tanta falta de devo\u00e7\u00e3o como se fosse uma can\u00e7\u00e3o de um cantor de baladas. As palavras s\u00e3o papagueadas sem a m\u00ednima aprecia\u00e7\u00e3o do seu significado; n\u00e3o \u00e0s vezes, mas, muito frequentemente, nos lugares reservados para o culto episcopal, podem-se ver os olhos do povo, os olhos dos coristas e os olhos do pr\u00f3prio cl\u00e9rigo, vagando por todas as dire\u00e7\u00f5es, uma vez que, evidentemente, pelo pr\u00f3prio tom da leitura, n\u00e3o h\u00e1 sentimento algum em sintonia com o que est\u00e1 sendo lido.<\/p>\n\n\n\n<p>Estive em funerais em que o of\u00edcio f\u00fanebre da Igreja da Inglaterra foi conduzido a galope, de maneira t\u00e3o indecorosa, que me foi necess\u00e1rio empregar todo o cavalheirismo que tinha para impedir-me de atirar um capacho na cabe\u00e7a da criatura. Fiquei t\u00e3o indignado que n\u00e3o soube o que fazer ao ouvir, na presen\u00e7a dos parentes do falecido, que estavam com o cora\u00e7\u00e3o sangrando, um homem a matraquear o ritual como se fosse pago por pe\u00e7a e tivesse mais trabalho para fazer logo depois e, portanto, quisesse chegar ao fim o mais depressa poss\u00edvel. Que efeito ele poderia pensar que estava produzindo, ou que bom resultado poderia provir de palavras arrancadas e arremessadas com for\u00e7a e viol\u00eancia, nem posso imaginar. \u00c9 realmente chocante pensar como aquele maravilhoso cerimonial de enterro \u00e9 assassinado e transformado numa abomina\u00e7\u00e3o pelo modo como frequentemente o of\u00edcio \u00e9 lido. Menciono isto simplesmente porque, se eles criticarem as nossas ora\u00e7\u00f5es com demasiada severidade, podemos fazer um formid\u00e1vel contra-ataque para silenci\u00e1-los. Todavia, muito melhor ser\u00e1 corrigir as nossas tolices do que achar defeito nos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>A fim de transformar a nossa ora\u00e7\u00e3o p\u00fablica naquilo que ela deve ser, a primeira coisa necess\u00e1ria \u00e9, que tem que ser uma coisa do cora\u00e7\u00e3o. O homem tem que estar de fato com fervor quando ora. \u00c9 preciso que seja ora\u00e7\u00e3o verdadeira e, se for, cobrir\u00e1 multid\u00e3o de pecados, como o amor. Podem-se perdoar as familiaridades e vulgaridades de uma pessoa, quando se v\u00ea claramente que o \u00e2mago do seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 falando com o seu Criador, e que somente a sua educa\u00e7\u00e3o defeituosa \u00e9 que ocasiona os seus defeitos na ora\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o quaisquer males morais ou espirituais do seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele que eleva s\u00faplicas a Deus em p\u00fablico deve ter ardor, pois, que pode ser pior preparo para o serm\u00e3o do que uma ora\u00e7\u00e3o sonolenta? Que \u00e9 que pode levar mais o povo a n\u00e3o querer ir \u00e0 casa de Deus do que uma ora\u00e7\u00e3o sonolenta? Ponha toda a alma no ato da ora\u00e7\u00e3o. Se alguma vez todo o seu ser se envolveu com alguma coisa, que o fa\u00e7a no sentido de chegar perto de Deus em p\u00fablico. Ore, pois, para que, mediante uma divina atra\u00e7\u00e3o, voc\u00ea leve consigo todos os ouvintes at\u00e9 o trono de Deus. Ore, pois, para que, mediante o poder do Esp\u00edrito Santo pousando sobre voc\u00ea, expresse os desejos e pensamentos de cada um dos presentes, e se erga como a \u00fanica voz falando por centenas de cora\u00e7\u00f5es frementes, que est\u00e3o inflamados de fervor perante o trono de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo a seguir, as nossas ora\u00e7\u00f5es devem ser <em>pertinentes<\/em>. N\u00e3o digo que se entre em todas e em cada uma das min\u00facias das circunst\u00e2ncias dos membros da igreja. Como j\u00e1 disse, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de transformar a ora\u00e7\u00e3o p\u00fablica numa gazeta dos acontecimentos da semana, ou num registro de nascimentos, mortes e casamentos do pessoal da igreja, mas os movimentos gerais que se deram entre os irm\u00e3os devem ser notados pelo diligente cora\u00e7\u00e3o do ministro. Ele deve apresentar igualmente as alegrias e as tristezas do seu povo ao trono da gra\u00e7a, e pedir que a b\u00ean\u00e7\u00e3o divina repouse sobre o seu rebanho em todos os seus movimentos, atividades espirituais, servi\u00e7os e santos empreendimentos, e que Deus estenda o Seu perd\u00e3o a todas as falhas e inumer\u00e1veis pecados dos irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, por meio de uma regra dada em termos negativos, devo dizer, <em>n\u00e3o alongue a sua ora\u00e7\u00e3o<\/em>. Acho que era John Macdonald que costumava dizer: \u201cSe voc\u00ea estiver com esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se alongue, porque as outras pessoas n\u00e3o conseguir\u00e3o manter o passo com voc\u00ea nessa incomum espiritualidade; e se voc\u00ea n\u00e3o estiver com esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se alongue, porque esteja certo de que aborrecer\u00e1 os ouvintes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A respeito de Robert Bruce, de Edimburgo, o famoso contempor\u00e2neo de Andrew Melville, diz Livingstone: \u201cNingu\u00e9m em seu tempo falava com tal evid\u00eancia e poder do Esp\u00edrito. Ningu\u00e9m possu\u00eda tantos selos da convers\u00e3o; sim, muitos dos seus ouvintes achavam que homem nenhum, desde os ap\u00f3stolos, falara com tal poder. &#8230; Ele era muito breve na ora\u00e7\u00e3o quando havia outros presentes, mas cada frase era como um poderoso dardo disparado para o c\u00e9u. Ouvi-o dizer que se cansava quando outros faziam ora\u00e7\u00e3o comprida; mas, estando a s\u00f3s, passava muito tempo em luta espiritual e ora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ocasi\u00f5es especiais, uma pessoa pode, se se sentir extraordinariamente movida e arrebatada, orar durante vinte minutos no culto matutino mais longo, mas isto n\u00e3o deve suceder com frequ\u00eancia. O meu amigo, Dr. Charles Brown, de Edimburgo, estabelece, como resultado do seu ponderado julgamento, que dez minutos \u00e9 o limite a que deve estender-se a ora\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os nossos antepassados puritanos costumavam orar por tr\u00eas quartos de hora, ou mais, mas a\u00ed voc\u00ea precisa lembrar-se de que eles n\u00e3o sabiam se teriam outra oportunidade de orar de novo diante de uma assembleia e, portanto, faziam-no at\u00e9 saciar-se. Al\u00e9m disso, naquele tempo as pessoas n\u00e3o eram propensas a contender pela extens\u00e3o das ora\u00e7\u00f5es ou dos serm\u00f5es como hoje em dia. Nunca ser\u00e1 demasiado longa a sua ora\u00e7\u00e3o em particular. N\u00e3o a limitaremos a dez minutos ali, nem a dez horas, nem a dez semanas, se quiser. Quanto mais tempo estiver de joelhos a s\u00f3s, melhor. Agora estamos falando daquelas ora\u00e7\u00f5es que v\u00eam antes ou depois do serm\u00e3o, e para essas ora\u00e7\u00f5es, dez minutos \u00e9 melhor limite do que quinze. Apenas um em mil se queixaria de voc\u00ea por ser breve demais, ao passo que dezenas murmurar\u00e3o por voc\u00ea ser enfadonho por alongar-se muito. \u201cEle orou de modo que me colocou em bom estado de esp\u00edrito\u201d, disse uma vez George Whitefield sobre certo pregador, \u201ce se tivesse parado ali, estaria tudo muito bem; mas, continuando a orar, tirou-me de novo dele\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A imensa longanimidade de Deus exemplifica-se no fato de ter Ele poupado alguns pregadores que neste sentido t\u00eam cometido grave pecado; eles t\u00eam lesado a piedade do povo de Deus com suas ora\u00e7\u00f5es de longo f\u00f4lego e, apesar disso, Deus, em Sua miseric\u00f3rdia, permite que continuem a ministrar no santu\u00e1rio. Ah! pobres daqueles que t\u00eam que ouvir pastores que fazem ora\u00e7\u00f5es de quase meia hora e depois pedem perd\u00e3o a Deus por suas \u201comiss\u00f5es\u201d! N\u00e3o se alongue, por diversos motivos. Primeiro, porque voc\u00ea e o povo se cansar\u00e3o; segundo, porque fazer ora\u00e7\u00e3o muito comprida indisp\u00f5e o cora\u00e7\u00e3o das pessoas para o serm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda aquela \u00e1rida, fastidiosa e prolixa tagarelice na ora\u00e7\u00e3o serve apenas para embotar a aten\u00e7\u00e3o, e assim, os ouvidos se fecham como se estivessem entupidos. Ningu\u00e9m que pretenda tomar de assalto a \u201cporta da audi\u00e7\u00e3o\u201d pensar\u00e1 em bloque\u00e1-la com barro ou pedras. N\u00e3o; trate de deixar limpo o portal, para que o ar\u00edete do evangelho produza efeito quando chegar o tempo de us\u00e1-lo. As ora\u00e7\u00f5es longas consistem, ou de repeti\u00e7\u00f5es, ou de explica\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias que Deus n\u00e3o requer; ou ent\u00e3o degeneram, transformando-se em prega\u00e7\u00f5es indiretas, de sorte que deixa de haver diferen\u00e7a entre a ora\u00e7\u00e3o e a prega\u00e7\u00e3o, exceto que na primeira o ministro mant\u00e9m os olhos fechados, e na segunda os mant\u00e9m abertos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 preciso recitar o Catecismo da Assembl\u00e9ia de Westminster. Na ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 preciso relatar a experi\u00eancia de todos os presentes, e nem mesmo a sua pr\u00f3pria. Na ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 preciso enfileirar uma sele\u00e7\u00e3o de textos da Escritura, e citar Davi, Daniel, J\u00f3, Paulo, Pedro, e todos os demais, sob o t\u00edtulo de \u201cTeu servo do passado\u201d. Na ora\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso aproximar-se de Deus, mas n\u00e3o se requer que voc\u00ea prolongue tanto o seu falar, que toda gente fique ansiosa por ouvir a palavra \u201cAm\u00e9m\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o posso deixar de fazer uma breve sugest\u00e3o: Nunca fa\u00e7a parecer que est\u00e1 concluindo, recome\u00e7ando ent\u00e3o a falar mais uns cinco minutos. Quando os amigos ficam com a ideia de que voc\u00ea est\u00e1 prestes a terminar, n\u00e3o podem com um tranco retomar o esp\u00edrito devoto e prosseguir. Conheci homens que nos impunham o supl\u00edcio de T\u00e2ntalo, dando-nos a esperan\u00e7a de que se aproximavam do fim, e depois se impunham por novos per\u00edodos, duas ou tr\u00eas vezes. Isso \u00e9 sumamente insensato e desagrad\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra norma \u00e9 \u2014 <em>n\u00e3o empregue frases bomb\u00e1sticas<\/em>. Irm\u00e3os, acabemos de uma vez com essas coisas desprez\u00edveis. Tiveram os seus dias; deixemos que morram. N\u00e3o h\u00e1 como exagerar na cr\u00edtica a essas pe\u00e7as de gritante pompa espiritual. Algumas delas s\u00e3o puras inven\u00e7\u00f5es; outras s\u00e3o passagens tiradas dos ap\u00f3crifos; outras s\u00e3o textos que se originaram na Escritura, mas que t\u00eam sido horrivelmente deformados desde quando foram produzidos pelo Autor da B\u00edblia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na <em>Revista Batista<\/em> de 1861 eu fiz as seguintes observa\u00e7\u00f5es sobre as vulgaridades que ocorrem comumente nas reuni\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs frases bomb\u00e1sticas s\u00e3o um grande mal. Quem poderia justificar express\u00f5es como as de que tratarei a seguir? <em>\u201cN\u00e3o dever\u00edamos correr para a presen\u00e7a do Senhor como o cavalo, incapaz de pensar, corre para a batalha\u201d<\/em>. Como se os cavalos alguma vez pensassem, e como se n\u00e3o fosse melhor exibir a eleg\u00e2ncia e a energia do cavalo do que a lentid\u00e3o e a estupidez do asno! Como a estrofe da qual imaginamos que essa fina cita\u00e7\u00e3o foi extra\u00edda relaciona-se mais com pecados do que com ora\u00e7\u00f5es, alegramo-nos com o fato de que a frase est\u00e1 em plena decad\u00eancia. <em>\u201cV\u00e1 de cora\u00e7\u00e3o em cora\u00e7\u00e3o, como o \u00f3leo vai de vaso em vaso\u201d<\/em> \u00e9 provavelmente cita\u00e7\u00e3o do conto infantil de Ali Bab\u00e1 e os Quarenta Ladr\u00f5es, mas destitu\u00edda de sentido, de Escritura e de poesia, como qualquer frase que se poderia conceber. N\u00e3o nos consta que o \u00f3leo corra de um vaso a outro de algum modo misterioso ou maravilhoso. \u00c9 certo que ao ser despejado escorre lentamente e, portanto, \u00e9 adequado s\u00edmbolo do fervor de algumas pessoas. Mas, certamente seria melhor receber a gra\u00e7a diretamente do c\u00e9u do que de outro vaso \u2014 ideia papista que a met\u00e1fora parece insinuar, se \u00e9 que de fato tem algum significado. <em>\u201cTeu pobre e indigno p\u00f3\u201d<\/em>, ep\u00edteto que geralmente os homens mais orgulhosos da igreja se aplicam a si pr\u00f3prios, e n\u00e3o raro os mais presos ao dinheiro e mais ordin\u00e1rios, caso em que as duas \u00faltimas palavras da frase n\u00e3o s\u00e3o muito impr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOuvimos falar de um bom homem que, intercedendo por seus filhos e netos, ficou t\u00e3o obscurecido pela alucinante influ\u00eancia da sua express\u00e3o, que exclamou: <em>\u201c\u00d3 Senhor, salva o Teu p\u00f3, e o p\u00f3 do Teu p\u00f3, e o p\u00f3 do p\u00f3 do Teu p\u00f3\u201d<\/em>. Quando Abra\u00e3o disse, \u201cEis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou p\u00f3 e cinza\u201d, a sua declara\u00e7\u00e3o foi v\u00edvida e expressiva; mas em sua forma mal citada, pervertida e exagerada, quanto mais depressa for reduzida a p\u00f3, melhor. Um miser\u00e1vel aglomerado de pervers\u00f5es da Escritura, rudes s\u00edmiles e rid\u00edculas met\u00e1foras constituem uma esp\u00e9cie de g\u00edria espiritual, fruto de ignor\u00e2ncia \u00edmpia, de imita\u00e7\u00e3o desfibrada ou de hipocrisia decorrente de aus\u00eancia da gra\u00e7a; s\u00e3o ao mesmo tempo uma desonra para os que est\u00e3o sempre repetindo essas coisas, e um aborrecimento intoler\u00e1vel para aqueles cujos ouvidos s\u00e3o atormentados por elas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O Dr. Charles Brown, de Edimburgo, em admir\u00e1vel discurso numa reuni\u00e3o da <em>New College Missionary Association<\/em>, d\u00e1 exemplos de cita\u00e7\u00f5es truncadas peculiares \u00e0 Esc\u00f3cia que, todavia, \u00e0s vezes atravessa o rio Tweed. Com sua permiss\u00e3o, farei cita\u00e7\u00e3o completa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 aquilo que se poderia denominar mescla infeliz, \u00e0s vezes inteiramente grotesca, de textos da Escritura. Quem n\u00e3o conhece as seguintes palavras dirigidas a Deus em ora\u00e7\u00e3o: \u201cTu \u00e9s o alto e sublime, que habitas a eternidade e <em>seus louvores<\/em>\u201d?, confus\u00e3o de dois textos gloriosos, cada um deles glorioso se tomado isoladamente \u2014 ambos maculados, e um deles na verdade irremediavelmente perdido, quando assim combinados e misturados. Um \u00e9 Isa\u00edas 57.15: \u201cPorque assim diz o <em>alto e sublime, que habita na eternidade<\/em>, e cujo nome \u00e9 santo\u201d. O outro \u00e9 o Salmo 22.3: \u201cPor\u00e9m tu \u00e9s Santo, o que habitas entre os <em>louvores<\/em> de Israel\u201d. A refer\u00eancia \u00e0 habita\u00e7\u00e3o entre louvores <em>da eternidade<\/em> \u00e9, para dizer o m\u00ednimo, pobre. N\u00e3o havia louvores na eternidade passada para serem habitados. Mas, que gl\u00f3ria h\u00e1 em condescender Deus em habitar, em fazer Seu domic\u00edlio, entre os louvores de Israel, da igreja resgatada!<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDepois h\u00e1 um exemplo nada menos que grotesco sob este t\u00edtulo e, contudo, em t\u00e3o frequente uso que suspeito que geralmente se considera que tem a san\u00e7\u00e3o da Escritura. Ei-lo: \u201cPor\u00edamos a nossa m\u00e3o em nossa boca, e a nossa boca no p\u00f3, e clamar\u00edamos: Imundos, imundos; \u00f3 Deus, tem miseric\u00f3rdia de n\u00f3s, pecadores!\u201d Trata-se de n\u00e3o menos de quatro textos reunidos, cada um deles belo, isoladamente. O primeiro \u00e9 o de J\u00f3 40:4: \u201cEis que sou vil; que te responderia eu? A minha m\u00e3o ponho na minha boca\u201d. O segundo \u00e9 o de Lamenta\u00e7\u00f5es 3:29: \u201cPonha a sua boca no p\u00f3; talvez assim haja esperan\u00e7a\u201d. O terceiro \u00e9 o de Lev\u00edtico 13:45, onde se diz ao leproso que cubra o l\u00e1bio superior, e grite: \u201cImundo, imundo\u201d. E o quarto \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o do publicano. Mas como \u00e9 incongruente p\u00f4r algu\u00e9m primeiro a m\u00e3o na boca, depois a boca no p\u00f3, e, por \u00faltimo, clamar, etc.!<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO \u00fanico outro exemplo que dou \u00e9 uma express\u00e3o quase universal entre n\u00f3s, e, desconfio, considerada quase universalmente como registrada na Escritura: \u201cEm teu favor h\u00e1 vida, e tua benignidade \u00e9 melhor do que a vida\u201d. O fato \u00e9 que isso tamb\u00e9m n\u00e3o passa de uma infeliz jun\u00e7\u00e3o de duas passagens, em que o termo <em>vida<\/em> \u00e9 empregado em sentidos completamente diversos, e mesmo incompat\u00edveis, a saber, o Salmo 63.3, \u201cPorque a tua benignidade \u00e9 melhor do que a vida\u201d, onde evidentemente, vida significa a presente vida temporal. A outra passagem \u00e9 o Salmo 30.5b &#8211; \u201cno seu favor est\u00e1 a vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma segunda classe pode ser descrita como infelizes altera\u00e7\u00f5es da linguagem da Escritura. Terei necessidade de dizer que o Salmo 130, \u201cDas profundezas\u201d, etc., \u00e9 um dos mais preciosos de todo o livro de Salmos? Por que havemos de ter as palavras de Davi e do Esp\u00edrito Santo dadas assim na ora\u00e7\u00e3o p\u00fablica, e com tanta frequ\u00eancia, que os piedosos crentes de nossas igrejas vieram a adot\u00e1-las em suas ora\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e dom\u00e9sticas: \u201cMas contigo est\u00e1 o perd\u00e3o, para que sejas temido, e abundante reden\u00e7\u00e3o <em>para que sejas procurado<\/em>\u201d? Como s\u00e3o preciosas as singelas palavras registradas no salmo citado [vers\u00edculo 4): \u201cMas contigo est\u00e1 o perd\u00e3o, para que sejas temido\u201d; vers\u00edculos 7.8: \u201cno Senhor h\u00e1 miseric\u00f3rdia, e nele h\u00e1 abundante reden\u00e7\u00e3o. E ele remir\u00e1 a Israel de todas as suas iniquidades\u201d!<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOutra vez, nesse aben\u00e7oado salmo, as palavras do vers\u00edculo 3, \u201cSe tu, Senhor, observares as iniquidades, Senhor, quem subsistir\u00e1?\u201d, muito raramente nos s\u00e3o deixadas com sua manifesta simplicidade, mas t\u00eam que sofrer a seguinte mudan\u00e7a: \u201cSe tu fores estrito em observar as iniquidades\u201d, etc. Lembro-me de que nos meus tempos de estudante, costum\u00e1vamos dar-lhe forma muito mais ofensiva: \u201cSe tu fores estrito para observar e <em>rigoroso para punir<\/em>\u201d! Outra mudan\u00e7a favorita \u00e9 a seguinte: \u201cTu est\u00e1s nos c\u00e9us, e n\u00f3s sobre a terra; pelo que sejam poucas <em>e bem ordenadas <\/em>as nossas palavras\u201d. O pronunciamento simples e sublime de Salom\u00e3o (certamente cheio de instru\u00e7\u00e3o sobre o tema de que estou tratando) \u00e9: \u201cDeus est\u00e1 nos c\u00e9us, e tu est\u00e1s sobre a terra; pelo que sejam poucas as tuas palavras\u201d (Eclesiastes 5.2). Para outro exemplo desta classe, veja-se como s\u00e3o torturadas as sublimes palavras de Habacuque: \u201cTu \u00e9s t\u00e3o puro de olhos, que n\u00e3o podes ver o mal, e n\u00e3o podes contemplar o pecado <em>sem te aborreceres<\/em>\u201d. As palavras do Esp\u00edrito Santo s\u00e3o (Habacuque 1.13): \u201cTu \u00e9s t\u00e3o puro de olhos, que n\u00e3o podes ver o mal, e a vexa\u00e7\u00e3o n\u00e3o podes contemplar\u201d. Precisaria dizer que a for\u00e7a da figura, \u201ce a vexa\u00e7\u00e3o n\u00e3o podes contemplar\u201d, quase se perde quando voc\u00ea acrescenta que Deus pode contempl\u00e1-la, s\u00f3 que n\u00e3o sem se aborrecer?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma terceira classe consiste de pleonasmos inexpressivos, de vulgares e banais redund\u00e2ncias de express\u00e3o, na cita\u00e7\u00e3o das Escrituras. Um desses casos tornou-se t\u00e3o universal, que me aventuro a dizer que raramente voc\u00ea o omite quando a passagem em foco entra em cena. \u201cFica no meio de n\u00f3s\u201d (ou, como alguns preferem express\u00e1-lo, de modo um tanto infeliz segundo penso, \u201cem nosso meio\u201d), \u201cpara aben\u00e7oar-nos, e <em>fazer-nos bem<\/em>\u201d. Que ideia adicional h\u00e1 na \u00faltima express\u00e3o, \u201ce fazer-nos bem\u201d? A passagem aludida \u00e9 \u00caxodo 20.24: \u201cem todo o lugar onde eu fizer celebrar a mem\u00f3ria do meu nome, virei a ti, e te aben\u00e7oarei\u201d. Esta \u00e9 a simplicidade da Escritura. O nosso acr\u00e9scimo \u00e9: \u201cpara aben\u00e7oar-nos, e fazer-nos bem\u201d. Em Daniel 4:35 lemos as nobres palavras: \u201cn\u00e3o h\u00e1 quem possa estorvar a sua m\u00e3o, e lhe diga: Que fazes?\u201d A mudan\u00e7a favorita \u00e9: \u201cNingu\u00e9m pode impedir a tua m\u00e3o <em>de agir<\/em>\u201d. \u201cAs coisas que o olho n\u00e3o viu, e o ouvido n\u00e3o ouviu, e n\u00e3o subiram ao cora\u00e7\u00e3o do homem, s\u00e3o as que Deus preparou para os que o amam.\u201d Isto sofre a seguinte altera\u00e7\u00e3o: \u201ce n\u00e3o subiu ao cora\u00e7\u00e3o do homem <em>conceber<\/em> as coisas\u201d. Constantemente ouvimos refer\u00eancia a Deus como Aquele \u201cque ouve e responde a ora\u00e7\u00e3o\u201d, mero pleonasmo vulgar e in\u00fatil, pois a ideia que a Escritura cont\u00e9m \u00e9 de que se Deus ouve a ora\u00e7\u00e3o, Ele responde \u2014 \u201c\u00d3 tu que ouves as ora\u00e7\u00f5es! a ti vir\u00e1 toda a carne.\u201d \u201cOuve, Senhor, a minha ora\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cAmo ao Senhor, porque ele ouviu a minha voz e a minha s\u00faplica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor que, outra vez, aquele chav\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o p\u00fablica, \u201cAs tuas consola\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o nem poucas nem pequenas\u201d? Suponho que a refer\u00eancia seja \u00e0s palavras de J\u00f3: \u201cPorventura as consola\u00e7\u00f5es de Deus te s\u00e3o pequenas?\u201d Assim tamb\u00e9m raramente se ouve aquela ora\u00e7\u00e3o do Salmo 74, \u201cAtenta para o teu concerto; pois os lugares tenebrosos da terra est\u00e3o cheios de moradas de crueldade\u201d, sem o acr\u00e9scimo, \u201c<em>horrenda<\/em> crueldade\u201d; nem o chamamento \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, em Isa\u00edas, \u201c\u00f3 v\u00f3s, os que fazeis men\u00e7\u00e3o do Senhor, n\u00e3o haja sil\u00eancio em v\u00f3s, nem estejais em sil\u00eancio, at\u00e9 que confirme, e at\u00e9 que ponha a Jerusal\u00e9m por louvor na terra\u201d, sem o acr\u00e9scimo, \u201cem <em>toda<\/em> a terra\u201d; nem o apelo do salmista: \u201cQuem tenho eu no c\u00e9u sen\u00e3o a ti? e na terra n\u00e3o h\u00e1 quem eu deseje al\u00e9m de ti\u201d, sem o acr\u00e9scimo: \u201cem <em>toda<\/em> a terra\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstes \u00faltimos exemplos parecem coisas na verdade insignificantes. E s\u00e3o. Nem valeria a pena achar-lhes defeito, se ocorressem apenas ocasionalmente. Mas examinados como lugares comuns estereotipados, bem fracos em si mesmos, mas ocorrendo com tanta frequ\u00eancia que d\u00e3o a impress\u00e3o de terem autoridade b\u00edblica, humildemente acho que deviam ser desaprovados e descartados \u2014 banidos totalmente do culto presbiteriano. Talvez voc\u00eas se surpreendam ao saberem que a \u00fanica autoriza\u00e7\u00e3o dada pela Escritura \u00e0quela express\u00e3o favorita e algo peculiar sobre o \u201cperverso pecado que rola como doce manjar sob as suas l\u00ednguas\u201d, est\u00e1 nas seguintes palavras do livro de J\u00f3 (20.12): \u201cAinda que o mal lhe seja doce na boca, e ele o esconda debaixo da sua l\u00edngua\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Basta disto, por\u00e9m. S\u00f3 lamento ser for\u00e7ado a estender-me tanto sobre um assunto infeliz como esse. Todavia, n\u00e3o posso deixar a mat\u00e9ria sem insistir com voc\u00eas que fa\u00e7am com exatid\u00e3o literal todas as cita\u00e7\u00f5es da Palavra de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Deveria ser uma quest\u00e3o de honra entre os ministros citar sempre corretamente a Escritura. \u00c9 dif\u00edcil sempre faz\u00ea-lo com exatid\u00e3o, e, porque \u00e9 dif\u00edcil, deveria constituir objeto do nosso maior cuidado. Nos sal\u00f5es de Oxford ou Cambridge seria considerado quase trai\u00e7\u00e3o ou crime um membro proeminente da universidade citar erroneamente Homero, Virg\u00edlio ou T\u00e1cito; mas um pregador citar erradamente Davi, Mois\u00e9s ou Paulo \u00e9 coisa muito mais s\u00e9ria, e bem merecedora da mais severa censura. Notem que eu me referi a um membro proeminente da universidade, n\u00e3o a um principiante; e de um pastor esperamos pelo menos igual precis\u00e3o em seu pr\u00f3prio departamento \u00e0 daquele que faz parte de um corpo universit\u00e1rio. Voc\u00eas que sem vacilar creem na teoria da inspira\u00e7\u00e3o verbal (para minha intensa satisfa\u00e7\u00e3o), nunca deveriam fazer uma cita\u00e7\u00e3o enquanto n\u00e3o puderem usar as palavras precisas, porque, de acordo com a explica\u00e7\u00e3o que voc\u00eas mesmos d\u00e3o, pela altera\u00e7\u00e3o de uma \u00fanica palavra pode-se perder por completo o sentido que Deus deu \u00e0 passagem. Se n\u00e3o conseguem citar a Escritura corretamente, por que cit\u00e1-la de qualquer modo em suas peti\u00e7\u00f5es? Fa\u00e7am uso de uma express\u00e3o nova, oriunda da sua pr\u00f3pria mente, e ser\u00e1 t\u00e3o aceit\u00e1vel para Deus como uma frase b\u00edblica desfigurada ou mutilada. Lutem com todo o vigor contra as mutila\u00e7\u00f5es e pervers\u00f5es da Escritura, e renunciem para sempre a todas as frases bomb\u00e1sticas, pois constituem deforma\u00e7\u00f5es da ora\u00e7\u00e3o improvisada.<\/p>\n\n\n\n<p>Notei um h\u00e1bito entre alguns \u2014 espero que voc\u00eas n\u00e3o tenham ca\u00eddo nisso \u2014 de orar com os olhos abertos. \u00c9 inatural, inconveniente e de mau gosto. Ocasionalmente, os olhos abertos e elevados ao c\u00e9u podem ser adequados e causar impress\u00e3o, mas correr o olhar pelo ambiente enquanto se declara que se est\u00e1 falando com o Deus invis\u00edvel, \u00e9 detest\u00e1vel. Nos primeiros tempos da igreja os chamados pais denunciaram esta pr\u00e1tica impr\u00f3pria. Deve-se fazer o m\u00ednimo de movimentos, se tanto, durante a ora\u00e7\u00e3o. Raramente \u00e9 bom levantar e mover o bra\u00e7o, como se se estivesse pregando. Contudo, os bra\u00e7os estendidos e as m\u00e3os cerradas s\u00e3o naturais e sugestivos, quando se est\u00e1 sob forte e santa como\u00e7\u00e3o. A voz deve harmonizar-se com o assunto, e jamais deve ser tempestuosa ou arrogante. Ao falar com Deus, usem-se entona\u00e7\u00f5es reverentes e humildes. N\u00e3o \u00e9 verdade que at\u00e9 a natureza lhes ensina isto? Se a gra\u00e7a n\u00e3o o fizer, perco a esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Com especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas ora\u00e7\u00f5es nos cultos do dia do Senhor, talvez sejam \u00fateis algumas observa\u00e7\u00f5es. Para impedir que o mero costume e a rotina se entronizem entre n\u00f3s, ser\u00e1 bom <em>variar quanto poss\u00edvel a ordem do culto<\/em>. O que quer que o Esp\u00edrito nos mova a fazer, fa\u00e7amos de uma vez. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s eu n\u00e3o tinha ci\u00eancia da extens\u00e3o em que permitiram que se intrometesse o controle dos di\u00e1conos sobre os ministros em certas igrejas desafortunadas. Estou acostumado a dirigir sempre os cultos da maneira que considero mais adequada e edificante, e nunca ouvi sequer uma palavra de obje\u00e7\u00e3o, e creio que posso dizer que vivo nas mais am\u00e1veis rela\u00e7\u00f5es de amizade com os meus cooperadores. Mas um irm\u00e3o e colega de minist\u00e9rio me contou esta manh\u00e3 que certa ocasi\u00e3o orou no in\u00edcio do culto matutino, em vez de mandar cantar um hino, e quando se retirou para o gabinete pastoral depois do culto, os oficiais lhe disseram que n\u00e3o queriam saber de inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 aqui entend\u00edamos que as igrejas batistas n\u00e3o est\u00e3o sob a escravid\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es e de regras fixas quanto \u00e0s maneiras de prestar culto, e, contudo, essas pobres criaturas, esses pretensos senhores, que bradam contra a liturgia formal, querem prender os seus ministros com indica\u00e7\u00f5es limitadoras produzidas pelo costume. \u00c9 tempo de silenciar para sempre esse absurdo. Pretendemos dirigir o culto conforme nos mova o Esp\u00edrito Santo, e como nos pare\u00e7a melhor. N\u00e3o queremos ser obrigados a cantar aqui e orar ali, mas queremos variar a ordem do culto para evitar a monotonia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouvi dizer que o sr. Hinton uma vez pregou o serm\u00e3o no come\u00e7o do culto, de modo que os retardat\u00e1rios puderam ter oportunidade de orar. E por que n\u00e3o? Altera\u00e7\u00f5es da regularidade fazem bem; a monotonia aborrece. Muitas vezes ser\u00e1 uma coisa sumamente proveitosa deixar o povo serenamente sentado no mais profundo sil\u00eancio uns dois a cinco minutos. O sil\u00eancio solene d\u00e1 nobreza ao culto.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Verdadeira ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 barulho imenso<br>de l\u00e1bios habituados ao clamor;<br>mas \u00e9 o sil\u00eancio d\u2019alma, sim, profundo e intenso,<br>d&#8217;alma que abra\u00e7a os p\u00e9s do seu Senhor.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Variem, pois, a ordem das suas ora\u00e7\u00f5es, para manter a aten\u00e7\u00e3o e impedir que as pessoas passem pelo programa todo do mesmo modo como anda o rel\u00f3gio at\u00e9 os pesos irem at\u00e9 o ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Variem a extens\u00e3o das suas ora\u00e7\u00f5es p\u00fablicas<\/em>. N\u00e3o acham que \u00e0s vezes seria muito melhor que, em vez de dar tr\u00eas minutos \u00e0 primeira ora\u00e7\u00e3o e quinze \u00e0 segunda, dessem nove minutos a cada uma delas? N\u00e3o seria melhor, \u00e0s vezes, estender-se mais na primeira ora\u00e7\u00e3o, e menos na segunda? N\u00e3o seria melhor fazer duas ora\u00e7\u00f5es de durar\u00e3o toler\u00e1vel, do que uma extremamente longa e outra extremamente curta? N\u00e3o seria bom tamb\u00e9m ter um hino depois da leitura do cap\u00edtulo, ou um vers\u00edculo ou dois antes da ora\u00e7\u00e3o? Por que n\u00e3o cantar quatro vezes, ocasionalmente? Por que n\u00e3o se contentar com dois hinos, ou s\u00f3 um, ocasionalmente? Por que cantar depois do serm\u00e3o? Por outro lado, por que alguns jamais cantam no fim do culto? \u00c9 aconselh\u00e1vel fazer sempre, ou mesmo frequentemente, uma ora\u00e7\u00e3o depois da prega\u00e7\u00e3o? N\u00e3o causaria maior impress\u00e3o se fosse feita de vez em quando? A dire\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo n\u00e3o nos propiciaria uma variedade desconhecida no presente? Tratemos de ter algo de maneira que o nosso povo n\u00e3o venha a considerar qualquer forma do culto como determinada, e assim torne a cair na supersti\u00e7\u00e3o da qual escapou.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Variem os temas comuns das suas ora\u00e7\u00f5es na intercess\u00e3o<\/em>. H\u00e1 muitos t\u00f3picos que requerem a sua aten\u00e7\u00e3o: a igreja com suas fraquezas, suas infidelidades, suas tristezas e suas consola\u00e7\u00f5es; o mundo exterior, a vizinhan\u00e7a, os ouvintes n\u00e3o convertidos, os jovens, a na\u00e7\u00e3o. N\u00e3o orem por tudo isso todas as vezes, ou sen\u00e3o as suas ora\u00e7\u00f5es ser\u00e3o longas e provavelmente desinteressantes. Qualquer que seja o t\u00f3pico predominante em seu cora\u00e7\u00e3o, fa\u00e7am-no predominar em suas s\u00faplicas. H\u00e1 um modo de seguir um curso na ora\u00e7\u00e3o, se o Esp\u00edrito Santo os guiar por ele, o que dar\u00e1 coes\u00e3o ao culto, e se harmonizar\u00e1 com os hinos e com a pr\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito proveitoso manter unidade no culto, onde poss\u00edvel; n\u00e3o servilmente, mas com sabedoria, de sorte que o efeito seja unificante. Certos irm\u00e3os nem sequer procuram manter unidade no serm\u00e3o, mas vagueiam da Inglaterra ao Jap\u00e3o e introduzem todos os assuntos imagin\u00e1veis. Mas voc\u00eas, que j\u00e1 atingiram a preserva\u00e7\u00e3o da unidade no serm\u00e3o, poderiam ir um pouco al\u00e9m, e demonstrar algum grau de unidade no culto, sendo cuidadosos quanto ao hino, \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 leitura b\u00edblica, para manter em proemin\u00eancia o mesmo assunto. Pouco recomend\u00e1vel \u00e9 a pr\u00e1tica, comum em alguns pregadores, de reiterar o serm\u00e3o na \u00faltima ora\u00e7\u00e3o. Pode ser instrutivo para os ouvintes, mas \u00e9 um objetivo totalmente alheio \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma pr\u00e1tica bomb\u00e1stica, escol\u00e1stica e inconveniente; n\u00e3o a imitem.<\/p>\n\n\n\n<p>Como fugiriam de uma v\u00edbora, <em>evitem todas as tentativas para conseguir fervor esp\u00fario na devo\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/em>. N\u00e3o se esforcem para parecer fervorosos. Orem segundo os ditames do seu cora\u00e7\u00e3o, sob a dire\u00e7\u00e3o Esp\u00edrito de Deus, e se voc\u00eas estiverem embotados e tediosos, falem disso ao Senhor. N\u00e3o ser\u00e1 ruim confessar a sua falta de vida, deplor\u00e1-la e clamar por vivifica\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 uma ora\u00e7\u00e3o real e aceit\u00e1vel. Mas o ardor fingido \u00e9 uma vergonhosa forma de mentir. Nunca imitem os fervorosos. Voc\u00eas conhecem um bom homem que geme, e outro cuja voz vira grito estridente quando ele \u00e9 arrebatado pelo ardor, mas, nem por isso voc\u00eas dever\u00e3o gemer ou chiar para parecerem fervorosos como eles. Simplesmente sejam naturais do come\u00e7o ao fim, e pe\u00e7am a Deus que os guie nisso tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente \u2014 esta palavra lhes digo confidencialmente \u2014 <em>preparem a sua ora\u00e7\u00e3o<\/em>. Voc\u00eas dir\u00e3o com espanto: \u201cQue ser\u00e1 que o senhor poder\u00e1 querer dizer com isso?\u201d Bem, quero dizer o que alguns n\u00e3o querem. Uma vez foi discutida numa sociedade de ministros a quest\u00e3o: \u201c\u00c9 certo o ministro preparar a sua ora\u00e7\u00e3o com anteced\u00eancia?\u201d Alguns afirmaram vigorosamente que n\u00e3o \u00e9 certo; e agiram bem. Outros com igual vigor sustentaram que \u00e9 certo. E n\u00e3o deveriam ser contraditados. Creio que ambas as partes tinham raz\u00e3o. Os irm\u00e3os do primeiro grupo entendiam por preparo da ora\u00e7\u00e3o o estudo de express\u00f5es, e a coloca\u00e7\u00e3o ordenada de uma linha de pensamento, o que todos eles diziam ser completamente oposto ao culto espiritual, no qual devemos deixar-nos nas m\u00e3os do Esp\u00edrito de Deus para que Ele nos ensine tanto o assunto como as palavras.<\/p>\n\n\n\n<p>Com essas observa\u00e7\u00f5es concordamos plenamente, pois, se um homem escreve as suas ora\u00e7\u00f5es e estuda as suas peti\u00e7\u00f5es, que use logo uma f\u00f3rmula lit\u00fargica. Mas os irm\u00e3os oponentes queriam dizer por preparo uma coisa completamente diversa. N\u00e3o o preparo da cabe\u00e7a, mas do cora\u00e7\u00e3o, preparo que consiste em ponderar previamente na import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o, em meditar nas necessidades espirituais dos homens, e em recordar as promessas que havemos de pleitear \u2014 indo, desta forma, \u00e0 presen\u00e7a do Senhor com uma peti\u00e7\u00e3o escrita nas t\u00e1buas de carne do cora\u00e7\u00e3o. Seguramente isso \u00e9 melhor do que ir a Deus \u00e0 esmo, correr para o trono divino ao acaso, sem mensagem ou desejo definido. \u201cNunca me canso de orar\u201d, disse algu\u00e9m, \u201cporque sempre tenho uma mensagem definida quando oro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Irm\u00e3os, as suas ora\u00e7\u00f5es s\u00e3o desta esp\u00e9cie? Voc\u00eas lutam para estar numa adequada disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito para dirigir as s\u00faplicas do seu povo? Voc\u00eas p\u00f5em em ordem a sua causa quando v\u00e3o comparecer perante o Senhor? Creio, meus irm\u00e3os, que devemos preparar-nos pela ora\u00e7\u00e3o particular para a ora\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Por uma vida vivida perto de Deus, devemos manter esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o, e ent\u00e3o n\u00e3o falharemos em nossas s\u00faplicas elevadas vocalmente. Se se deve tolerar alguma coisa al\u00e9m disso, deveria ser a dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 memoriza\u00e7\u00e3o dos Salmos e de por\u00e7\u00f5es da Escritura que cont\u00e9m promessas, s\u00faplicas, louvores e confiss\u00f5es, os quais possam ser de utilidade no ato de ora\u00e7\u00e3o. De Cris\u00f3stomo se diz que aprendeu a B\u00edblia de cor, de modo que podia repeti-la a seu bel-prazer. N\u00e3o admira que se chamasse boca de ouro.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, em nossa conversa\u00e7\u00e3o com Deus, nenhuma linguagem pode ser mais apropriada do que as palavras do Esp\u00edrito Santo \u2014 \u201cFaze como disseste\u201d sempre prevalecer\u00e1 junto ao Alt\u00edssimo. Aconselhamos, pois, a memoriza\u00e7\u00e3o dos inspirados exerc\u00edcios de devo\u00e7\u00e3o presentes na Palavra da Verdade. Depois, a cont\u00ednua leitura das Escrituras os manter\u00e1 sempre supridos de renovadas preces, que ser\u00e3o como ung\u00fcento derramado, impregnando toda a casa de Deus com a sua fragr\u00e2ncia, quando apresentarem as suas peti\u00e7\u00f5es em p\u00fablico perante o Senhor. Sementes de ora\u00e7\u00e3o semeadas assim na mem\u00f3ria, constantemente produzir\u00e3o excelentes colheitas, quando o Esp\u00edrito lhes aquecer a alma com fogo santo na hora da ora\u00e7\u00e3o congregacional. Como Davi usou a espada de Golias para vit\u00f3rias futuras, assim podemos empregar \u00e0s vezes uma peti\u00e7\u00e3o j\u00e1 respondida, e capacitar-nos a dizer com o filho de Jess\u00e9: \u201cN\u00e3o h\u00e1 outra semelhante; d\u00e1-ma\u201d, pois Deus tornar\u00e1 a cumpri-la em nossa experi\u00eancia pessoal. Oxal\u00e1 as vossas ora\u00e7\u00f5es sejam fervorosas, cheias de fogo, veem\u00eancia e poder. Rogo ao Esp\u00edrito Santo que ensine todos os estudantes desta Escola a fazer ora\u00e7\u00e3o p\u00fablica, de modo que Deus seja servido sempre do melhor de cada um. Oxal\u00e1 as suas peti\u00e7\u00f5es sejam singelas e brotem do cora\u00e7\u00e3o. E, ao passo que \u00e0s vezes o povo de sua igreja pode achar que o serm\u00e3o esteve abaixo do normal, possa tamb\u00e9m achar que a ora\u00e7\u00e3o compensou tudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s vezes a vangl\u00f3ria dos episcopais \u00e9 que os membros da igreja oficial v\u00e3o aos seus templos para orar e prestar culto a Deus, mas os dissidentes (os das igrejas livres) simplesmente se re\u00fanem para ouvir serm\u00f5es. 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