{"id":77,"date":"2026-03-16T20:42:32","date_gmt":"2026-03-16T20:42:32","guid":{"rendered":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77"},"modified":"2026-03-17T12:55:07","modified_gmt":"2026-03-17T12:55:07","slug":"livre-arbitrio-um-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77","title":{"rendered":"Livre-arb\u00edtrio \u2014 Um escravo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><br>\u201cMas n\u00e3o quereis vir a mim para terdes vida\u201d (Jo\u00e3o 5.40)<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Este texto \u00e9 usado pelos arminianos como uma das suas grandes armas e frequentemente descarregada com um barulho terr\u00edvel contra os pobres crist\u00e3os chamados calvinistas. Nesta manh\u00e3 eu pretendo apontar a arma, ou melhor, vir\u00e1-la contra os inimigos, porque ela nunca pertenceu a eles: jamais foi fabricada na forja deles. Pelo contr\u00e1rio, este texto intenciona ensinar a doutrina exatamente oposta \u00e0quela que eles sustentam.<\/p>\n\n\n\n<p>Geralmente quando o texto \u00e9 empregado, ele \u00e9 dividido desta forma: primeiro, o homem tem uma vontade. Segundo, ele \u00e9 inteiramente livre. Terceiro, os homens t\u00eam que querer por sua pr\u00f3pria vontade vir a Cristo, de outra maneira eles n\u00e3o ser\u00e3o salvos. Ora, n\u00f3s n\u00e3o utilizaremos tais divis\u00f5es, mas nos empenharemos em dar uma olhada no texto com mais precau\u00e7\u00e3o: e n\u00e3o porque existam nele as palavras \u201cquerer\u201d ou \u201cn\u00e3o querer\u201d, chegaremos \u00e0 conclus\u00e3o de que ele ensina a doutrina do livre-arb\u00edtrio.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>O<\/strong> <strong>LIVRE-ARB\u00cdTRIO \u00c9 SIMPLESMENTE RID\u00cdCULO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 foi provado al\u00e9m de toda controv\u00e9rsia que o livre-arb\u00edtrio \u00e9 uma tolice. A liberdade n\u00e3o pode pertencer ao arb\u00edtrio como a pondera\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode pertencer \u00e0 eletricidade. Elas s\u00e3o coisas completamente diferentes. Podemos crer em agente livre; por\u00e9m o livre-arb\u00edtrio \u00e9 simplesmente rid\u00edculo. \u00c9 bem conhecido de todos que a vontade \u00e9 dirigida pelo entendimento, movida por motivos, conduzida por outros componentes da alma e considerada como algo secund\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto a filosofia como a religi\u00e3o, descartam de uma vez a ideia de livre-arb\u00edtrio; e eu vou t\u00e3o longe quanto Marinho Lutero, em sua forte afirma\u00e7\u00e3o, onde ele diz: \u201cse algum homem, de alguma maneira, atribuir a salva\u00e7\u00e3o ao livre-arb\u00edtrio do homem \u2014 mesmo a \u00edntima parte \u2014 nada sabe sobre a gra\u00e7a e n\u00e3o conheceu Jesus Cristo corretamente\u201d. Pode parecer uma declara\u00e7\u00e3o severa; todavia, aquele que em sua alma cr\u00ea que o homem faz o seu pr\u00f3prio livre-arb\u00edtrio voltar-se para Deus, n\u00e3o pode ter sido instru\u00eddo por Deus, pois esse \u00e9 um dos primeiros princ\u00edpios que nos \u00e9 ensinado quando Deus come\u00e7a Sua obra em n\u00f3s: n\u00e3o temos nem vontade nem poder, posto que Ele concede ambos; porquanto Ele \u00e9 \u201co Alfa e o \u00d4mega\u201d na salva\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>SUM\u00c1RIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste serm\u00e3o nossos quatro pontos principais ser\u00e3o \u2014 Primeiro,\u00a0<em>todo homem est\u00e1 morto<\/em>\u00a0porque o texto diz: \u201cmas n\u00e3o quereis vir a mim para terdes\u00a0<em>vida<\/em>\u201d. Segundo,\u00a0<em>H\u00e1 vida em Jesus Cristo<\/em> \u2014 \u201c&#8230; n\u00e3o quereis vir a\u00a0<em>mim<\/em>\u00a0para terdes vida\u201d. Terceiro, h\u00e1 vida em Cristo Jesus\u00a0<em>para todo aquele que vem receb\u00ea-la<\/em> (&#8230;) \u201cn\u00e3o quereis vir a mim\u00a0<em>para terdes vida<\/em>\u201d. Isso implica em que todos que v\u00e3o, ter\u00e3o vida. Quarto e o sentido do texto \u00e9:\u00a0<em>ningu\u00e9m por si mesmo jamais vir\u00e1 a Cristo<\/em>, pois o texto diz: \u201c&#8230; <em>n\u00e3o<\/em>\u00a0quereis vir a mim para terdes vida\u201d. Portanto, longe de afirmar que os homens por suas pr\u00f3prias vontades fariam tal coisa, o vers\u00edculo nega-o categoricamente e diz: \u201c<strong>N\u00c3O QUEREIS<\/strong>\u00a0vir a mim para terdes vida\u201d. Ora, amados, estou quase pronto a exclamar: ser\u00e1 que os defensores do livre-arb\u00edtrio tem t\u00e3o pouco conhecimento a ponto de desafiar a doutrina da inspira\u00e7\u00e3o? Est\u00e3o destitu\u00eddos de senso todos aqueles que negam a doutrina da gra\u00e7a? Tem se afastado tanto de Deus que torcem isto para provar o livre-arb\u00edtrio onde o texto diz: \u201c&#8230;\u00a0<strong>N\u00c3O QUEREIS<\/strong>\u00a0vir a mim para terdes vida\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>N\u00c3O H\u00c1 VIDA NA MORTE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.\u00a0<\/strong>Primeiramente, ent\u00e3o, nosso texto implica em que OS HOMENS POR NATUREZA EST\u00c3O MORTOS.\u00a0Ningu\u00e9m precisa ir \u00e0 procura da vida se j\u00e1 tem vida em si mesmo. O texto fala muito fortemente quando declara: \u201c&#8230; n\u00e3o quereis vir a mim para terdes vida\u201d. Apesar de n\u00e3o diz\u00ea-lo explicitamente, ele afirma, com efeito, que os homens precisam de uma vida que n\u00e3o t\u00eam em si mesmos. Meus ouvintes, n\u00f3s todos estamos mortos, a n\u00e3o ser que tenhamos sido gerados para uma viva esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>MORTE LEGAL \u2014 CONDENA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Todos n\u00f3s estamos, por natureza, legalmente mortos: \u201cno dia que dela comeres, certamente morrer\u00e1s\u201d disse Deus a Ad\u00e3o: embora ele n\u00e3o tenha morrido fisicamente naquele momento ele morreu legalmente: isto quer dizer que a morte foi decretada contra ele. T\u00e3o logo como no Old Bailey, o juiz veste a capa preta e pronuncia a senten\u00e7a, o homem \u00e9 considerado morto pela lei. Talvez possa passar um m\u00eas antes dele ser trazido ao pat\u00edbulo para sofrer a senten\u00e7a da lei, no entanto, a lei o considera um homem morto. E lhe imposs\u00edvel fazer qualquer transa\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o pode herdar, nem legar seus bens: ele n\u00e3o \u00e9 nada, \u00e9 um homem morto. O pa\u00eds, de maneira alguma, o considera como vivo. H\u00e1 uma elei\u00e7\u00e3o \u2014 n\u00e3o lhe \u00e9 pedido seu voto porque ele \u00e9 considerado legalmente morto. Ele est\u00e1 trancado em sua cela de condena\u00e7\u00e3o e est\u00e1 morto. Ah, e voc\u00eas pecadores sem Deus, que nunca tiveram vida em Cristo, est\u00e3o vivos nesta manh\u00e3, por adiamento, mas, ser\u00e1 que n\u00e3o sabem que est\u00e3o legalmente mortos: que Deus os considera como tais, que no dia que seu pai Ad\u00e3o comeu o fruto, e voc\u00eas pr\u00f3prios pecaram, Deus, o eterno Juiz, colocou sobre Si o gorro preto e os condenou? Voc\u00eas falam poderosamente de sua pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o, bondade e moralidade: onde est\u00e3o elas? As Escrituras dizem que voc\u00eas \u201cj\u00e1 est\u00e3o condenados\u201d. N\u00e3o tem que esperar para serem condenados no dia do ju\u00edzo final; ali ser\u00e1 a execu\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a est\u00e3o condenados. No momento que pecaram, seus nomes foram escritos no livro negro da justi\u00e7a: todos foram ent\u00e3o sentenciados por Deus \u00e0 morte, a n\u00e3o ser que tenham encontrado um substituto pelos seus pecados, na pessoa de Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que pensariam se fossem \u00e0 pris\u00e3o e vissem o condenado sentado, rindo e feliz? Voc\u00eas diriam: \u201co homem \u00e9 um tolo, pois ele est\u00e1 condenado e ser\u00e1 executado: no entanto, qu\u00e3o alegre ele est\u00e1\u201d. Ah, e qu\u00e3o tolo \u00e9 o homem mundano que, enquanto a senten\u00e7a est\u00e1 sendo registrada contra ele, vive em divertimento e alegria! Voc\u00eas pensam que a senten\u00e7a de Deus \u00e9 sem efeito? Pensam que seu pecado que est\u00e1 gravado com ponteiro de a\u00e7o nas rochas para sempre \u00e9 isento de horrores? Deus disse que voc\u00eas j\u00e1 est\u00e3o condenados. Se pudessem t\u00e3o somente sentir isto, o amargor encheria as suas doces ta\u00e7as de gozo: suas dan\u00e7as parariam. O riso se extinguiria com um suspiro, se lembrassem de que j\u00e1 est\u00e3o condenados. Todos n\u00f3s dever\u00edamos chorar, se compreend\u00eassemos seriamente que por natureza n\u00e3o temos vida aos olhos de Deus. Estamos realmente condenados: a morte est\u00e1 decretada contra n\u00f3s, e somos considerados aos olhos de Deus agora t\u00e3o mortos como se j\u00e1 estiv\u00e9ssemos lan\u00e7ados no inferno: somos condenados agora pelo pecado, embora ainda n\u00e3o estejamos sofrendo a penalidade, por\u00e9m, ela est\u00e1 escrita contra n\u00f3s. Por isso estamos legalmente mortos. N\u00e3o podemos encontrar vida, a n\u00e3o ser que encontremos vida legal na pessoa de Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>MORTE ESPIRITUAL \u2014 CAD\u00c1VER CAMINHANDO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas, al\u00e9m de estarmos legalmente mortos, estamos tamb\u00e9m&nbsp;<em>espiritualmente mortos<\/em>. Isso porque a senten\u00e7a n\u00e3o somente foi lavrada no livro, mas tamb\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o e entrou na consci\u00eancia, operou na alma, no julgamento, na imagina\u00e7\u00e3o e em tudo: \u201c&#8230; porque no dia em que dela comeres, certamente morrer\u00e1s\u201d, n\u00e3o somente foi cumprido pela senten\u00e7a decretada, mas por algo que aconteceu em Ad\u00e3o. Assim como num dado momento futuro, quando este corpo morrer, o sangue parar\u00e1, o pulso cessar\u00e1 e a respira\u00e7\u00e3o n\u00e3o vir\u00e1 mais pelos pulm\u00f5es, assim tamb\u00e9m no dia em que Ad\u00e3o comeu do fruto, sua alma morreu: sua imagina\u00e7\u00e3o perdeu seu poder de ascender \u00e0s coisas celestiais e ver o c\u00e9u, sua vontade perdeu para sempre seu poder de escolher aquilo que \u00e9 bom, seu julgamento perdeu toda a sua habilidade de julgar entre o certo e o errado decidida e infalivelmente, ainda assim algo foi retido na consci\u00eancia: sua mem\u00f3ria tomou-se corrompida, propensa a reter coisas pecaminosas, e a deixar as coisas virtuosas deslizarem para longe todo poder que ele tinha cessou quanto a sua vitalidade moral. A bondade era a vitalidade do seu poder \u2014 isso se foi. Virtude, santidade, integridade: estas eram a vida do homem, e quando elas se foram o homem tornou-se morto. E agora, todo homem, no que concerne as coisas espirituais, \u201cest\u00e1 morto em delitos e pecados\u201d. A alma n\u00e3o est\u00e1 menos morta num homem carnal do que o corpo quando depositado no t\u00famulo: ela est\u00e1 real e positivamente morta \u2014 n\u00e3o se trata de uma met\u00e1fora, pois Paulo n\u00e3o fala por met\u00e1foras quando afirma: \u201cEle vos vivificou estando v\u00f3s mortos nos vossos delitos e pecados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, meus ouvintes, oxal\u00e1 eu pudesse pregar tudo aos seus cora\u00e7\u00f5es a respeito deste assunto. Foi suficientemente ruim quando eu descrevi a morte como tendo sido decretada: por\u00e9m, agora eu falo disso, como tendo de fato acontecido nos seus cora\u00e7\u00f5es. Voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o o que eram antes: n\u00e3o s\u00e3o o que eram em Ad\u00e3o, nem o que foram gerados. O homem foi criado puro e santo. Voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o as criaturas perfeitas das quais alguns se gloriam, todos s\u00e3o totalmente ca\u00eddos, todos se desviaram do caminho, tomando-se corruptos e sujos. Oh, n\u00e3o ou\u00e7am o canto da sereia daqueles que falam da dignidade moral e do elevado estado de voc\u00eas no tocante a salva\u00e7\u00e3o. Voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o perfeitos: a palavra t\u00e3o forte \u2014 \u201cru\u00edna\u201d \u2014 est\u00e1 escrito em seus cora\u00e7\u00f5es: e a morte est\u00e1 selada em seus esp\u00edritos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o imagine, \u00f3 homem moral. que poder\u00e1 ficar de p\u00e9 diante de Deus em sua moralidade, pois voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 mais do que uma carca\u00e7a embalsamada em legalismo, um defunto enfeitado em finas roupas, por\u00e9m ainda corrupto na presen\u00e7a de Deus. E n\u00e3o pense, o possuidor de religi\u00e3o natural, que poder\u00e1 pelo seu poder e forca fazer-se aceit\u00e1vel a Deus. \u00d3 homem, voc\u00ea est\u00e1 morto e poder\u00e1 vestir a morte t\u00e3o gloriosamente como quiser por\u00e9m, ainda assim, isso seria uma farsa solene. Ali est\u00e1 a rainha Cle\u00f3patra \u2014 coloque sobre a sua cabe\u00e7a a coroa vista-a com mantos reais, deixe-a sentar com pompa: mas, que calafrio voc\u00ea sente quando passa por ela. Hoje ela \u00e9 bela, at\u00e9 na sua morte \u2014 mas qu\u00e3o terr\u00edvel e ficar em p\u00e9 junto desse corpo, mesmo que seja de uma rainha morta, t\u00e3o celebre pela sua majestosa beleza! Portanto, voc\u00ea poder\u00e1 ser glorioso em sua beleza, agrad\u00e1vel, maravilhoso e bondoso! Voc\u00ea coloca a coroa de honestidade sobre a sua cabe\u00e7a. Usando todas as vestes de honra, mas a n\u00e3o ser que Deus o tenha vivificado, o homem, a n\u00e3o ser que o Esp\u00edrito tenha tratado com a sua alma, voc\u00ea \u00e9 t\u00e3o detest\u00e1vel aos olhos de Deus como o corpo frio lhe \u00e9 repugnante. Voc\u00ea n\u00e3o escolheria viver com um morto assentado a sua mesa. E Deus n\u00e3o tem prazer em que voc\u00ea esteja diante de seus olhos. Ele Se ira com voc\u00ea todos os dias, pois est\u00e1 em pecado \u2014 est\u00e1 morto. Oh, creia nisso, leve-o a s\u00e9rio! Aproprie-se disso, pois \u00e9 bem verdade que est\u00e1 morto, tanto espiritualmente como legalmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>MORTE ETERNA NO INFERNO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro tipo de morte \u00e9 a consuma\u00e7\u00e3o dos outros dois. \u00c9 a morte eterna. \u00c9 a execu\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a legal; e a consuma\u00e7\u00e3o da morte espiritual. A morte eterna e a morte da alma; isto acontece depois da morte f\u00edsica, ap\u00f3s a alma ter sa\u00eddo do corpo. Se a morte legal e terr\u00edvel e por causa das suas consequ\u00eancias; e se a morte espiritual e horr\u00edvel, e por causa daquilo que acontecer\u00e1 depois. As duas mortes da qual falamos s\u00e3o as ra\u00edzes, mas a morte que advir\u00e1 \u00e9 a arvore em plena frutifica\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>Oh, se eu tivesse palavras para descrever a voc\u00ea neste momento o que \u00e9 a morte eterna. A alma compareceu diante do seu Criador; o livro foi aberto; a senten\u00e7a foi declarada: \u201capartai-vos malditos\u201d. O universo foi sacudido, e tomou as pr\u00f3prias gal\u00e1xias obscurecidas com a desaprova\u00e7\u00e3o do Criador; a alma se foi as profundezas onde habitara com outras na morte eterna. Oh qu\u00e3o terr\u00edvel e a sua posi\u00e7\u00e3o agora. Seu leito \u00e9 um leito de chamas: as vis\u00f5es que ela tem s\u00e3o horrendas horripilam-na; os sons que ouve s\u00e3o gritos, lamenta\u00e7\u00f5es choros, e grunhidos; tudo que o seu corpo conhece \u00e9 a imposi\u00e7\u00e3o de dores lancinantes! Ele tem o inexprim\u00edvel infort\u00fanio da mis\u00e9ria n\u00e3o mitigada. A alma olha para baixo com medo e pavor; o remorso toma posse dela. Ela olha para sua direita. e as paredes inflex\u00edveis da ru\u00edna a mant\u00e9m dentro dos limites da tortura. Olha para sua esquerda, e ali o baluarte de fogo ardente impede a escalada de qualquer imaginado escape. Olha para dentro de si e ali procura por consola\u00e7\u00e3o, mas um verme torturante j\u00e1 penetrou nela. Ela olha em volta n\u00e3o tem amigos que a ajudem, nem consoladores, e sim atormentadores em abund\u00e2ncia. N\u00e3o conhece a esperan\u00e7a da liberta\u00e7\u00e3o; j\u00e1 ouviu o eterno ferrolho do destino fechando a porta da terr\u00edvel pris\u00e3o, e viu Deus tomar a chave e jog\u00e1-la nas profundezas da eternidade para nunca mais ser achada. Sem esperan\u00e7a, desconhece escape, n\u00e3o conjectura liberta\u00e7\u00e3o; suspira pelo fim, mas a morte \u00e9 por demais um advers\u00e1rio para ali estar; deseja ardentemente que a n\u00e3o exist\u00eancia a possa tragar, mas esta morte eterna \u00e9 pior do que o aniquilamento. Anseia pelo exterm\u00ednio como trabalhador pelo seu dia de descanso; deseja profundamente que possa ser engolida pelo nada, assim como o escravo da gal\u00e9 deseja sua liberdade qual nunca chega. Est\u00e1 eternamente morta. Quando a eternidade tiver dado incont\u00e1veis voltas a alma perdida ainda estar\u00e1 morta. \u201cPara todo o sempre\u201d n\u00e3o conhecer\u00e1 fim; a eternidade n\u00e3o pode ser soletrada a n\u00e3o ser na eternidade. No entanto, a alma v\u00ea assento sobre a sua cabe\u00e7a; \u00e9s maldita para sempre\u201d. Ela ouve gritos que serio perp\u00e9tuos; as chamas que s\u00e3o inextingu\u00edveis; conhece dores que n\u00e3o ter\u00e3o al\u00edvio; ouve uma senten\u00e7a que n\u00e3o ruge como um trov\u00e3o da terra que logo cessa por\u00e9m, continua sempre e sempre, retinindo os ecos da eternidade \u2014 fazendo milhares de anos tremer outra vez com o terr\u00edvel estrondo do seu pavoroso ru\u00eddo; \u201cApartai! Apartai! Apartai malditos&#8221;! Isto \u00e9 na verdade a morte eterna.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>VIDA EM CRISTO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.<\/strong>&nbsp;Em segundo lugar H\u00c1 VIDA EM CRISTO JESUS, pois Ele diz: \u201cmas n\u00e3o quereis vir a mim para terdes vida\u201d. N\u00e3o h\u00e1 vida em Deus pai para o pecador; n\u00e3o h\u00e1 vida em Deus Esp\u00edrito para o pecador longe de Jesus. A vida do pecador est\u00e1 em Cristo. Se voc\u00eas tomarem o Pai a parte do Filho, apesar de amar Seus eleitos e decretar que eles viver\u00e3o, no entanto, a vida s\u00f3 est\u00e1 em seu Filho. Se tomarem Deus Esp\u00edrito a parte de Jesus Cristo, apesar de ser o Esp\u00edrito que nos d\u00e1 vida, espiritual, contudo a vida est\u00e1 em Cristo, a vida esta no Filho. N\u00e3o nos atrevemos, n\u00e3o podemos requerer vida espiritual em primeiro lugar, nem de Deus Pai, ou de Deus Esp\u00edrito Santo. A primeira coisa que somos levados a fazer quando Deus nos tira do Egito e comer a P\u00e1scoa \u2014 a primeir\u00edssima coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros meios pelos quais recebemos vida consiste em nos alimentar da carne e do sangue do Filho de Deus: vivendo nEle, confiando nEle, acreditando na Sua gra\u00e7a e poder.<\/p>\n\n\n\n<p>O pensamento que estamos desenvolvendo e: h\u00e1 vida em Cristo Jesus. Quero mostrar-lhes que h\u00e1 tr\u00eas tipos de vida em Cristo, assim como h\u00e1 tr\u00eas tipos de morte em consequ\u00eancia do pecado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>VIDA LEGAL \u2014 SEM CONDENA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro existe vida legal em Cristo. Assim como todo homem por natureza, considerado em Ad\u00e3o, teve uma senten\u00e7a de condena\u00e7\u00e3o que passou para ele no momento em que Ad\u00e3o pecou e, mais especificamente, no momento de sua pr\u00f3pria transgress\u00e3o, igualmente se formos crentes e confiarmos em Cristo, houve uma senten\u00e7a legal de absolvi\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a n\u00f3s atrav\u00e9s do que Jesus Cristo fez. \u00d3 pecador condenado, voc\u00ea pode estar sentado aqui hoje t\u00e3o condenado como o prisioneiro em Newgate (pris\u00e3o na Inglaterra) mas antes deste dia terminar poder estar t\u00e3o livre de culpa como os anjos l\u00e1 do alto. H\u00e1 uma tal coisa como uma vida legal em Cristo, e bendito seja Deus, alguns de n\u00f3s a desfrutamos. Sabemos que os nossos pecados s\u00e3o perdoados porque Cristo sofreu o castigo por eles. Sabemos que nunca seremos punidos porque Cristo sofreu em nosso lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>A P\u00e1scoa foi sacrificada a nosso favor: os umbrais e a verga das portas foram aspergidos, e o anjo destruidor nunca poder\u00e1 nos tocar. Para n\u00f3s n\u00e3o haver\u00e1 inferno; suas chamas terr\u00edveis n\u00e3o nos alcan\u00e7ar\u00e3o. N\u00e3o importa que o Tofete tenha sido preparado desde h\u00e1 muito tempo, nem que sua pilha seja de madeira e haja muita fuma\u00e7a, nunca iremos para l\u00e1 \u2014 Cristo morreu por n\u00f3s e em nosso lugar. Ainda que haja horr\u00edveis tormentos, ou mesmo uma senten\u00e7a que produza horrendas repercuss\u00f5es fragorosas, no entanto, nem tormento nem pris\u00f5es, nem trov\u00f5es s\u00e3o para n\u00f3s! Em Cristo Jesus somos libertos agora. \u201cPortanto, agora nenhuma condena\u00e7\u00e3o h\u00e1 para os que est\u00e3o em Cristo Jesus, que andam n\u00e3o segundo a carne, mas, segundo o Espirito\u201d (Rm 8.1).<\/p>\n\n\n\n<p>Pecador, voc\u00ea se sente legalmente condenado neste momento? Sente isso? Ent\u00e3o, deixe-me dizer-lhe que a f\u00e9 em Cristo lhe dar\u00e1 o conhecimento de sua absolvi\u00e7\u00e3o legal. Meu amigo, n\u00e3o e nenhuma fantasia o fato de estarmos condenados por nossos pecados, \u00e9 uma realidade. Portanto, tampouco \u00e9 fantasia que fomos absolvidos de nossos pecados, \u00e9 tamb\u00e9m uma realidade. Um homem prestes a ser enforcado, se recebesse pleno perd\u00e3o sentiria isso como uma grande realidade. Ele dir\u00e1: \u201ceu recebi total perd\u00e3o, agora n\u00e3o posso ser tocado\u201d. \u00c9 assim mesmo que eu me sinto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAgora livre do pecado eu ando em liberdade,<br>O sangue do Salvador e minha completa absolvi\u00e7\u00e3o,<br>Aos Seus queridos p\u00e9s eu me deito,<br>Um pecador salvo, minha homenagem presto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Irm\u00e3os, n\u00f3s ganhamos vida legal em Cristo, e tal vida n\u00e3o podemos perder. A senten\u00e7a era contra n\u00f3s no passado \u2014 agora tudo mudou. Est\u00e1 escrito: \u201cportanto, AGORA NENHUMA CONDENA\u00c7\u00c3O H\u00c1 PARA OS QUE EST\u00c3O EM CRISTO JESUS\u201d, e esse agora valer\u00e1 para mim daqui a muitos anos, como o est\u00e1 valendo hoje. Em qualquer tempo que estivermos vivendo, ainda estar\u00e1 escrito: \u201cportanto, agora nenhuma condena\u00e7\u00e3o h\u00e1 para os que est\u00e3o em Cristo Jesus\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>VIDA ESPIRITUAL \u2014 DEFUNTO VIVIFICADO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, em segundo lugar, h\u00e1 vida espiritual em Cristo Jesus. Visto que o homem est\u00e1 espiritualmente morto, Deus tem vida espiritual para ele, pois n\u00e3o h\u00e1 nenhuma necessidade que n\u00e3o possa ser suprida por Jesus; n\u00e3o h\u00e1 vazio no cora\u00e7\u00e3o que Cristo n\u00e3o possa encher: n\u00e3o h\u00e1 um ermo que Ele n\u00e3o possa povoar, n\u00e3o h\u00e1 deserto que Ele n\u00e3o possa fazer florescer como a rosa. \u00d3 pecadores mortos, espiritualmente mortos. h\u00e1 vida em Cristo Jesus, pois n\u00f3s temos visto \u2014 sim, estes olhos viram \u2014 os mortos viverem de novo: n\u00f3s conhecemos o homem cuja vis\u00e3o era carnal, cujas concupisc\u00eancias eram poderosas, cujas paix\u00f5es eram fortes, e que de repente, por um irresist\u00edvel poder do c\u00e9u. consagrou-se a Cristo, e tornou-se um filho de Deus. Sabemos que h\u00e1 vida em Cristo Jesus, vida de ordem espiritual; sim, mas n\u00f3s mesmos, em nossas pr\u00f3prias pessoas, temos sentido que h\u00e1 uma vida espiritual. Bem que podemos nos lembrar quando nos sentamos na casa de ora\u00e7\u00e3o, t\u00e3o mortos como os bancos nos quais est\u00e1vamos sentados. Hav\u00edamos ouvido por muito tempo o som do evangelho, por\u00e9m, nenhum efeito se seguiu, quando de repente, como se os nossos ouvidos tivessem sido abertos pelos dedos de um poderoso anjo, um som entrou em nossos cora\u00e7\u00f5es. Pensamos ter ouvido Jesus dizer: \u201cQuem tem ouvidos para ouvir, ou\u00e7a\u201d (Mat. 11.15). Um poder irresist\u00edvel tocou nossos cora\u00e7\u00f5es e espremeu deles uma ora\u00e7\u00e3o. Nunca fizemos uma ora\u00e7\u00e3o assim antes. N\u00f3s clamamos\u201d \u00d3 Deus, tem miseric\u00f3rdia de mim, pecador!\u201d (Lc 18.13).<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns de n\u00f3s sentimos a m\u00e3o de Deus nos apertando durante meses, como se tiv\u00e9ssemos sido apanhados num torno, e as nossas almas sangraram gotas de ang\u00fastia. Essa mis\u00e9ria era um sinal de vida que se iniciava. Quando as pessoas est\u00e3o se afogando n\u00e3o sentem tanto a dor como quando est\u00e3o sendo restauradas. Oh, podemos nos lembrar de quando recebemos a nossa vida espiritual, t\u00e3o facilmente como pode um homem que fosse ressurrecto do t\u00famulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos supor que L\u00e1zaro se lembrava da sua ressurrei\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o de todas as circunst\u00e2ncias dela. Portanto, apesar de termos nos esquecido de muitos detalhes, podemos nos lembrar de quando nos entregamos a Cristo. Podemos dizer a todo pecador, mesmo estando morto, que h\u00e1 vida em Cristo Jesus, ainda que ele esteja podre e corrupto em seu t\u00famulo espiritual. Aquele que ressuscitou a L\u00e1zaro, tamb\u00e9m nos ressuscitou; e Ele pode dizer igualmente a voc\u00ea: \u201cL\u00e1zaro, saia para fora&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>VIDA ETERNA \u2014 NUNCA PERDIDO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em terceiro lugar, h\u00e1 vida eterna em Cristo Jesus. Meus amigos, se a morte eterna e terr\u00edvel, a vida espiritual e aben\u00e7oada; pois Ele disse, \u201cOnde Eu estiver a\u00ed o meu servo estar\u00e1\u201d (Jo\u00e3o 12.26). \u201cPai, desejo que onde eu estiver tamb\u00e9m estejam comigo aqueles que me tens dado, para que vejam a minha gl\u00f3ria\u201d (Jo\u00e3o 17.24). \u201cEu lhes dou a vida eterna; jamais perecer\u00e3o\u201d (Jo\u00e3o 10.28). Ora, qualquer arminiano que pregasse sobre esse texto precisaria de l\u00e1bios de borracha para esticar a sua boca, pois tenho certeza que ele n\u00e3o poderia falar toda a verdade sem se enrolar de um modo muito misterioso. Vida eterna \u2014 n\u00e3o uma vida que eles v\u00e3o perder, mas vida eterna. Se eu perdi a vida em Ad\u00e3o, eu a ganhei em Cristo; se em Ad\u00e3o me perdi para sempre, em Cristo Jesus me encontro para sempre. Vida eterna! Oh, bendito pensamento! Nossos olhos reluzir\u00e3o com gozo e nossas almas arder\u00e3o em \u00eaxtase ao pensar que as nossas almas v\u00e3o viver em alegria e gozo. Apaga seu olho, \u00f3 sol! \u2014 por\u00e9m os meus olhos\u201d ver\u00e3o o Rei na Sua formosura\u201d quando esse olho solar nunca mais fizer sorrir a terra verde. E lua, toma-se em sangue! \u2014 por\u00e9m o meu sangue jamais se tornar\u00e1 em nada; este meu esp\u00edrito ainda existira quando voc\u00ea ter\u00e1 deixado de existir. E voc\u00ea grande mundo! \u2014 poder\u00e1 desvanecer assim como a espuma desaparece de sobre a onda que a suporta, por\u00e9m eu terei a vida eterna. \u00d3 tempo! \u2014 voc\u00ea poder\u00e1 ver montanhas gigantescas mortas ou escondidas em suas covas; poder\u00e1 ver as estrelas como figos maduros caindo da \u00e1rvore; mas nunca, jamais ver\u00e1 o meu esp\u00edrito morto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>DEUS SALVA A TODOS OS QUE V\u00caM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.&nbsp;<\/strong>Isto nos traz ao terceiro ponto: A VIDA ETERNA \u00c9 DADA A TODOS OS QUE V\u00caM EM SUA BUSCA. Nunca um homem veio a Cristo buscar vida eterna, legal e espiritual, que de certo modo n\u00e3o a tivesse recebido, e foi lhe manifestado de que a tinha recebido logo ap\u00f3s ter vindo. Vamos considerar um ou dois textos. \u201cPortanto pode tamb\u00e9m salvar perfeitamente os que por Ele se achegam a Deus\u201d (Hb 7.25). Todo homem que se achega a Cristo, ver\u00e1 que Ele \u00e9 capaz de salv\u00e1-lo e, n\u00e3o apenas capaz de salv\u00e1-lo um pouco, libert\u00e1-lo de um pequeno pecado, livr\u00e1-lo de uma pequena tribula\u00e7\u00e3o, carrega-lo um pouco e depois deix\u00e1-lo cair \u2014 e sim capaz de salv\u00e1-lo at\u00e9 a m\u00e1xima extens\u00e3o do seu pecado, e de suas tribula\u00e7\u00f5es, at\u00e9 ao mais profundo das suas tristezas e ao extremo da sua exist\u00eancia. Cristo diz a todo o que vem a Ele: \u201cVenha, pobre pecador, n\u00e3o precisa perguntar se tenho poder para salvar. Eu n\u00e3o perguntarei qu\u00e3o longe foi em seu pecado; Eu posso salv\u00e1-lo completa e perfeitamente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>SOMENTE OS ESCOLHIDOS VIR\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agora vejamos outros textos: \u201cAquele que vem a mim (notem que as promessas s\u00e3o quase todas aos que v\u00eam) de modo nenhum o lan\u00e7arei fora\u201d (Jo\u00e3o 6.37). Todo homem que vem encontrar\u00e1 a porta da casa de Cristo aberta \u2014 e a porta do Seu cora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Todo homem que vem \u2014 eu digo isto no mais amplo sentido \u2014 descobrir\u00e1 que Cristo tem miseric\u00f3rdia dele. O maior absurdo do mundo e querer um evangelho mais amplo do que aquele registrado nas Escrituras. Eu proclamo que todo homem que cr\u00ea ser\u00e1 salvo \u2014 que todo homem que vem encontrara miseric\u00f3rdia. As pessoas me perguntam: mas, suponha que um homem venha sem ter sido escolhido, ele seria salvo? Voc\u00ea est\u00e1 supondo um absurdo, e eu n\u00e3o vou lhe dar uma resposta. Se um homem n\u00e3o for escolhido ele nunca vir\u00e1. Quando ele vem \u00e9 uma prova segura de que foi escolhido. Diz outro: \u201cSuponha que algu\u00e9m v\u00e1 a Cristo que n\u00e3o tenha sido chamado pelo Esp\u00edrito\u201d. Pare, meu amigo, essa \u00e9 uma suposi\u00e7\u00e3o que voc\u00ea n\u00e3o tem o direito de fazer, pois tal coisa n\u00e3o pode acontecer: voc\u00ea s\u00f3 diz isso para me enredar, mas n\u00e3o conseguir\u00e1 isso. Eu digo, todo homem que vem a Cristo ser\u00e1 salvo. Eu posso dizer isso como um calvinista, ou como um hiper-calvinista com toda a clareza poss\u00edvel. N\u00e3o tenho evangelho que exceda em estreiteza ao que voc\u00ea tem s\u00f3 que o meu evangelho est\u00e1 alicer\u00e7ado sobre um fundamento s\u00f3lido, ao passo que o seu est\u00e1 constru\u00eddo somente sobre ardia e podrid\u00e3o. Todo homem que vem a Cristo ser\u00e1 salvo, pois, homem nenhum vir\u00e1 a Ele \u201cse o Pai n\u00e3o o trouxer\u201d. No entanto, diz algu\u00e9m: \u201cSuponha que o mundo todo viesse, Cristo o receberia?\u201d Certamente, se todos viessem; mas eles n\u00e3o vir\u00e3o Eu digo, todos os que vem \u2014 sim, mesmo que eles fossem t\u00e3o maus quanto os dem\u00f4nios, ainda assim Cristo os receberia; se eles tivessem todos os pecados e imund\u00edcies derramados nos seus cora\u00e7\u00f5es, como dentro de um esgoto comum para o mundo todo, Cristo os receberia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>EXPIA\u00c7\u00c3O UNIVERSAL, UMA MENTIRA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem argumente: \u201cEu quero saber sobre o restante das pessoas. Posso sair e dizer-lhes: Jesus Cristo morreu por cada um de voc\u00eas? Posso dizer que h\u00e1 vida para cada um de voc\u00eas?\u201d. N\u00e3o. N\u00e3o poder\u00e1. Voc\u00ea poder\u00e1 dizer que h\u00e1 vida para cada homem que vem; contudo, se disser que h\u00e1 vida para aqueles que n\u00e3o creem, ent\u00e3o, profere uma mentira perigosa. Se voc\u00ea lhes disser que Jesus Cristo foi punido pelos seus pecados e assim mesmo se perder\u00e3o, voc\u00ea fala uma falsidade deliberada. Pensar que Deus pode punir a Cristo, e depois punir a eles \u2014 eu admiro do seu atrevimento em dizer isso! Um homem uma vez estava pregando e afirmou que havia harpas e coroas no c\u00e9u para toda a sua congrega\u00e7\u00e3o; e depois terminou de uma maneira muito solene: \u201cMeus queridos amigos, muitos para quem estas coisas est\u00e3o preparadas n\u00e3o chegar\u00e3o l\u00e1\u201d. De fato, a sua prega\u00e7\u00e3o foi uma coisa t\u00e3o lament\u00e1vel que era para fazer chorar mas eu lhes digo por quem ele deveria ter chorado \u2014 deveria ter chorado pelos anjos do c\u00e9u e por todos os santos, pois isso estragaria completamente o c\u00e9u para eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou\u00e7am, meus irm\u00e3os, quando voc\u00eas se reunirem no Natal, se perderam seu irm\u00e3o Davi, e o seu lugar est\u00e1 vazio, voc\u00eas dizem: \u201cBem, n\u00f3s sempre desfrutamos do Natal, mas agora h\u00e1 um vazio \u2014 pobre Davi est\u00e1 morto e sepultado!\u201d Pensem nos anjos dizendo: \u201cAh, este \u00e9 um c\u00e9u maravilhoso, mas n\u00e3o gostamos de ver todas estas coroas aqui com teias de aranha! N\u00e3o podemos suportar essa rua desabitada nem podemos olhar para esses tronos vazios\u201d! E ent\u00e3o, pobrezinhos, eles poderiam come\u00e7ar a falar uns com os outros, e dizer: \u201cNenhum de n\u00f3s est\u00e1 a salvo aqui, pois a promessa foi \u2014 \u201c Eu dou as minhas ovelhas a vida eterna\u201d, e h\u00e1 muitas delas no inferno, as quais Deus deu vida eterna tamb\u00e9m; h\u00e1 um n\u00famero delas pelas quais Cristo derramou Seu sangue, queimando no abismo, e se elas podem ser mandadas para l\u00e1, Ele tamb\u00e9m pode nos mandar. Se n\u00e3o podemos confiar numa promessa, tampouco podemos confiar noutra\u201d. Portanto, o c\u00e9u perderia o seu fundamento e cairia. Acabem com tal evangelho sem sentido! Deus nos d\u00e1 um evangelho seguro e s\u00f3lido, constru\u00eddo sobre as promessas e relacionamentos da alian\u00e7a, com prop\u00f3sitos eternos e cumprimentos seguros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>NENHUM HOMEM DESEJA VIR<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>4.&nbsp;<\/strong>Isto nos traz ao quarto ponto. POR NATUREZA, NENHUM HOMEM QUER VIR A CRISTO, pois o texto diz: \u201cN\u00e3o quereis vir a mim para terdes vida\u201d. Eu afirmo sob a autoridade das Escrituras que n\u00e3o querem vir a Cristo para terem vida. Eu lhes digo, poderia pregar a voc\u00eas a vida toda e tomar emprestado a eloqu\u00eancia de Dem\u00f3stenes ou de C\u00edcero, mas voc\u00eas na desejariam vir a Cristo. Poderia lhes implorar de joelhos, com l\u00e1grimas nos meus olhos, e mostrar os horrores do inferno e o gozo do c\u00e9u, como tamb\u00e9m expor a sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de perdido e a sufici\u00eancia de Cristo, por\u00e9m nenhum de voc\u00eas viria a Cristo por sua pr\u00f3pria vontade, a n\u00e3o ser que o Esp\u00edrito de Cristo o atra\u00edsse. E verdade que todos os homens, em sua condi\u00e7\u00e3o natural, n\u00e3o vir\u00e3o Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece que estou ouvindo outro destes faladores perguntando: \u201cMas, eles n\u00e3o poderiam vir se quisessem\u201d? Meu amigo, vou lhe responder numa outra ocasi\u00e3o. Essa n\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o neste momento. Eu estou falando sobre eles quererem, n\u00e3o sobre eles poderem. Voc\u00ea pode notar que quando se fala de livre-arb\u00edtrio, o pobre arminiano em dois segundos come\u00e7a a falar de poder, e mistura dois assuntos que deveriam ser mantidos separados. N\u00f3s n\u00e3o trataremos de dois assuntos de uma s\u00f3 vez, pois nos recusamos a lutar com dois ao mesmo tempo. Em outra oportunidade pregaremos sobre este texto: \u201cNingu\u00e9m pode vir a mim se o Pai n\u00e3o o trouxer\u201d. Entretanto, \u00e9 s\u00f3 sobre a vontade que estamos falando agora, \u00e9 certo que os homens n\u00e3o vir\u00e3o a Cristo para que tenham vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder\u00edamos provar isso com muitos textos das Escrituras, por\u00e9m usaremos uma par\u00e1bola. Voc\u00eas se lembram da par\u00e1bola onde um certo rei deu uma festa para seu filho, e convidou muitos a festa; os bois e os cevados foram mortos, e ele enviou seus mensageiros a chamar muitos para a ceia. Eles foram a festa? N\u00e3o, n\u00e3o foram. Todos eles, a uma s\u00f3 voz, come\u00e7aram a se desculpar. Um disse que havia se casado, portanto n\u00e3o poderia vir. E o que impediria que ele trouxesse a esposa consigo? Outro comprou uma junta de bois, e foi experiment\u00e1-los; mas a festa foi a noite, e ele n\u00e3o poderia experiment\u00e1-los no escuro. Outro comprou um peda\u00e7o de terra e queria v\u00ea-la; mas eu n\u00e3o creio que ele fosse v\u00ea-la com uma lanterna. Assim, todos apresentaram desculpas e n\u00e3o quiseram vir. Bem, o rei estava determinado a realizar a festa; portanto, ele disse: \u201cVai \u00e0s ruas e becos e convida-os \u2014 espere! n\u00e3o convide \u2014 obriga-os a entrar\u201d, pois mesmo os pobres das ruas nunca teriam vindo a n\u00e3o ser que fossem compelidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Examinemos outra par\u00e1bola. Um certo homem tinha uma vinha; no tempo determinado enviou um dos seus servos para receber o que lhe cabia do aforamento. O que fizeram com ele? Espancaram aquele servo. Ele enviou outro, e o apedrejaram. Enviou ainda outro, e o mataram. E por \u00faltimo ele disse: \u201cEu vou enviar-lhes o meu filho, a ele ter\u00e3o respeito\u201d. Mas o que foi que fizeram? Disseram: \u201cEste e o herdeiro: vinde, matemo-lo e apoderemo-nos da sua heran\u00e7a\u201d. E assim fizeram. E o mesmo com todos os homens, por causa da sua natureza. O Filho de Deus veio: no entanto, os homens O rejeitaram.\u201d N\u00e3o quereis vir a Mim para terdes vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>A QUEDA \u2014 AT\u00c9 ONDE?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Levaria muito tempo para mencionarmos outras provas das Escrituras. Vamos, no entanto, nos referir \u00e0 grande doutrina da Queda. Qualquer pessoa que acredita que a vontade do homem \u00e9 inteiramente livre, e que pode ser salva por meio dela, n\u00e3o acredita na Queda. Como, \u00e0s vezes, tenho lhes dito: poucos pregadores acreditam plenamente na doutrina da Queda, ou ent\u00e3o apenas acreditam que Ad\u00e3o, quando caiu, quebrou seu dedo mindinho, e n\u00e3o seu pesco\u00e7o, arruinando assim a sua ra\u00e7a. Ora, amados, a Queda quebrou o homem completamente. N\u00e3o deixou nenhuma capacidade inalterada; todas foram despeda\u00e7adas, degradadas e manchadas. Como um poderoso templo, os pilares podem estar ali, as colunas, at\u00e9 o pilar principal, mas, todos eles foram quebrados, ainda que alguns retenham suas formas e posi\u00e7\u00f5es. \u00c0s vezes a consci\u00eancia do homem retam muito a sua ternura \u2014 no entanto, esta ca\u00edda. A vontade tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 isenta. Embora seja o maioral de Mansoul \u2014 conforme Bunyan o chama \u2014 o maioral erra. O senhor vontade \u2014 voluntarioso \u2014 estava continuamente errando.<\/p>\n\n\n\n<p>A natureza ca\u00edda que voc\u00eas tem foi colocada fora de ordem; sua vontade, entre outras coisas, afastou-se completamente de Deus. Eu lhes direi que a melhor prova disso: \u00e9 o grande fato de que nunca encontraram um crist\u00e3o, em toda a sua vida, que dissesse que ele veio a Cristo, sem que antes Cristo tivesse vindo a ele.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>ORA\u00c7\u00d5ES LIVRE-ARB\u00cdTRIO \u2014 N\u00c3O!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00eas tem ouvido muitos serm\u00f5es arminianos, eu ouso dizer, mas nunca ouviram uma ora\u00e7\u00e3o arminiana \u2014 pois os santos em ora\u00e7\u00e3o se parecem iguais em palavra, a\u00e7\u00e3o e mente. Um arminiano de joelhos orar\u00e1 desesperadamente como um calvinista. Ele n\u00e3o pode orar a respeito do livre-arb\u00edtrio: n\u00e3o h\u00e1 lugar para isso. Imagine-o orando: \u201cSenhor, eu Te agrade\u00e7o que n\u00e3o sou como esses pobres calvinistas presun\u00e7osos. Senhor, eu nasci com um glorioso livre-arb\u00edtrio: eu nasci com poder pelo qual posso me voltar para Ti por conta pr\u00f3pria; tenho melhorado minha gra\u00e7a. Se todos tivessem feito o mesmo que eu fiz com a Tua gra\u00e7a, poderiam todos ter sido salvos. Senhor, eu sei que Tu n\u00e3o nos fazes espiritualmente propensos se n\u00f3s mesmos n\u00e3o queremos. Tu d\u00e1s gra\u00e7a a todos; alguns n\u00e3o a melhoram, mas, eu sim. Haver\u00e1 muitos que ir\u00e3o para o inferno, tantos quantos foram comprados pelo sangue de Cristo como eu fui; eles tinham tanto do Esp\u00edrito Santo quanto me foi dado tiveram uma boa chance, e foram t\u00e3o aben\u00e7oados como eu sou. N\u00e3o foi a Tua gra\u00e7a que nos diferenciou; eu sei que ela fez muito, mas eu cheguei ao ponto desejado; eu usei o que me foi dado e os outros n\u00e3o \u2014 essa e a diferen\u00e7a entre eu e eles\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o para o diabo, pois ningu\u00e9m ofereceria tal ora\u00e7\u00e3o. Ah, quando eles est\u00e3o pregando e falando vagarosamente poder\u00e1 haver doutrina errada: mas quando oram, a verdade escapa, eles n\u00e3o podem evit\u00e1-la. Se um homem fala muito devagar, ele poder\u00e1 falar de modo refinado, por\u00e9m, quando ele come\u00e7a a falar depressa, o velho sotaque regional escapa.<\/p>\n\n\n\n<p>E lhes pergunto: alguma vez conheceram um crist\u00e3o que dissesse,\u201d Eu vim a Cristo sem o poder do Esp\u00edrito\u201d? Se alguma vez encontraram tal homem, n\u00e3o precisam ter a menor hesita\u00e7\u00e3o em dizer: \u201cMeu querido amigo, eu realmente admito isso \u2014 e acredito tamb\u00e9m que voc\u00ea se afastou dEle sem o poder do Esp\u00edrito, que est\u00e1 em fel de amargura e no la\u00e7o da iniquidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que eu ou\u00e7o um crist\u00e3o dizendo: \u201cEu achei a Jesus antes que Ele me achasse; eu fui ao Esp\u00edrito, e Ele n\u00e3o veio a mim\u201d? N\u00e3o, amados, somos obrigados; cada um de n\u00f3s a colocar as m\u00e3os sobre os nossos cora\u00e7\u00f5es e dizer:<\/p>\n\n\n\n<p>A gra\u00e7a ensinou minha alma a orar,<br>E fez meus olhos transbordar,<br>Foi a gra\u00e7a que me guardou at\u00e9 este dia,<br>E n\u00e3o me deixam escapar.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algu\u00e9m aqui \u2014 ao menos um \u2014 homem ou mulher, jovem ou velho, que possa dizer: \u201cEu procurei a Deus antes que Ele me procurasse\u201d? N\u00e3o, mesmo voc\u00ea que tende para o arminianismo cantara:<\/p>\n\n\n\n<p>Oh sim! eu amo a Deus<br>Porque Ele me amou primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, mais uma pergunta. Porventura n\u00e3o descobrimos que, mesmo ap\u00f3s termos vindo a Cristo, a nossa alma n\u00e3o est\u00e1 livre, e sim, est\u00e1 guardada por Cristo? N\u00e3o descobrimos que at\u00e9 mesmo agora, h\u00e1 ocasi\u00f5es quando o querer n\u00e3o est\u00e1 presente? H\u00e1 uma lei em nossos membros guerreando contra a lei das nossas mentes. Ora, se esses que est\u00e3o espiritualmente vivos sentem que a sua vontade esta contraria a de Deus, o que dizer do homem que est\u00e1 morto em delitos e pecados? Seria um absurdo maior colocar os dois no mesmo n\u00edvel; e seria ainda mais absurdo fazer os mortos precederem os vivos. N\u00e3o, o texto est\u00e1 certo, a experi\u00eancia o imprimiu em nossos cora\u00e7\u00f5es: \u201c N\u00e3o quereis vir a mim para terdes vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>POR QUE NINGU\u00c9M VEM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agora devemos dizer-lhes os motivos pelos quais os homens n\u00e3o vem a Cristo. O primeiro e: porque nenhum homem por natureza pensa que ele precisa de Cristo. Por natureza ele concebe que n\u00e3o precisa de Cristo; pensa que possui um manto de justi\u00e7a pr\u00f3pria, que est\u00e1 bem vestido, que n\u00e3o est\u00e1 nu, que n\u00e3o precisa do sangue de Cristo para lav\u00e1-lo, que n\u00e3o est\u00e1 preto ou vermelho e que n\u00e3o precisa da gra\u00e7a para purific\u00e1-lo. Nenhum homem conhece a sua necessidade antes que Deus a mostre a ele; e at\u00e9 que o Esp\u00edrito Santo lhe revele a necessidade de perd\u00e3o, nenhum homem buscar\u00e1 o perd\u00e3o. Eu posso pregar Cristo para sempre, mas, a n\u00e3o ser que algu\u00e9m sinta que quer a Cristo, nunca vir\u00e1 a Ele. Um farmac\u00eautico pode ter uma boa farm\u00e1cia, mas ningu\u00e9m comprar\u00e1 seus rem\u00e9dios at\u00e9 que sinta que precisa deles.<\/p>\n\n\n\n<p>O motivo seguinte \u00e9: porque os homens gostam do modo pelo qual Cristo os salva. Um diz: \u201c Eu n\u00e3o gosto porque Ele me torna santo; eu n\u00e3o posso beber ou blasfemar, se Ele me salvar\u201d. Outro diz: \u201c Isto requer que eu seja t\u00e3o exato e r\u00edgido, e eu gosto de um pouco mais de licen\u00e7a\u201d. Outro n\u00e3o gosta porque o\u201d port\u00e3o do c\u00e9u\u201d n\u00e3o \u00e9 o suficiente alto para a sua cabe\u00e7a, e ele n\u00e3o gosta de se agachar. Este \u00e9 o motivo principal pelo qual voc\u00eas n\u00e3o vir\u00e3o a Cristo, porque n\u00e3o podem chegar a Ele com as suas cabe\u00e7as firmemente levantadas no ar: pois Cristo os faz agacharem quando voc\u00eas vem. Outro n\u00e3o gosta que a salva\u00e7\u00e3o seja pela gra\u00e7a do come\u00e7o ao fim. \u201cOh\u201d, ele diz: \u201cse eu pudesse ter s\u00f3 um pouco de honra\u201d. Mas, quando ele ouve que tudo \u00e9 Cristo. Cristo ou nada, um Cristo inteiro ou nada de Cristo, ele diz: \u201c Eu n\u00e3o virei\u201d, vira-se ent\u00e3o e vai embora. Ah, pecadores orgulhosos, voc\u00eas n\u00e3o vir\u00e3o a Cristo porque n\u00e3o conhecem nada sobre Ele. E esse \u00e9 o terceiro motivo. Os homens n\u00e3o conhecem Seu valor, pois se o conhecessem, viriam para Ele. Porque os marinheiros n\u00e3o vieram para a Am\u00e9rica antes de Colombo? Porque n\u00e3o acreditavam que a Am\u00e9rica existia. Colombo tinha f\u00e9: portanto ele foi. Aquele que tem f\u00e9 em Cristo vai a Ele. Todavia, voc\u00eas n\u00e3o conhecem a Jesus; muitos de voc\u00eas n\u00e3o viram Seu maravilhoso rosto; nunca viram o quanto Seu sangue \u00e9 apropriado para um pecador, qu\u00e3o grande \u00e9 a Sua expia\u00e7\u00e3o, e como Seus m\u00e9ritos s\u00e3o todos suficientes. Portanto\u201d voc\u00eas n\u00e3o vir\u00e3o a Ele\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>SEM DESCULPA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Oh, meus ouvintes, meu \u00faltimo pensamento e deveras solene. J\u00e1 preguei que voc\u00eas n\u00e3o vir\u00e3o. Mas, alguns v\u00e3o dizer: \u201c\u00c9 por causa dos nossos pecados que n\u00e3o estamos vindo\u201d. \u00c9 isso mesmo. Voc\u00eas n\u00e3o v\u00eam nem podem vir porque suas vontades s\u00e3o pecaminosas. Alguns pensam que\u201d costuramos almofadas para todas as cavas\u201d quando pregamos esta doutrina, mas n\u00e3o o fazemos. N\u00e3o vemos isto como sendo parte da natureza original do homem, por\u00e9m, como pertencente \u00e0 natureza deca\u00edda. \u00c9 o pecado que os trouxe a esta condi\u00e7\u00e3o, devido a qual n\u00e3o vir\u00e3o. Se n\u00e3o tivessem ca\u00eddo, viriam a Cristo no exato momento em que Ele fosse anunciado a voc\u00eas, mas n\u00e3o v\u00eam por causa dos seus pecados e delitos. As pessoas se desculpam porque t\u00eam cora\u00e7\u00f5es maus. Essa \u00e9 a desculpa mais esfarrapada do mundo. Acaso o roubo e a ladroeira n\u00e3o prov\u00eam de um mau cora\u00e7\u00e3o? Suponha que um ladr\u00e3o dissesse ao juiz: \u201cEu n\u00e3o pude evit\u00e1-lo, eu tinha um mau cora\u00e7\u00e3o\u201d. O que diria o juiz?\u201d Patife! se seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 mau ent\u00e3o farei a senten\u00e7a mais pesada, pois de fato voc\u00ea \u00e9 um vil\u00e3o. Sua desculpa n\u00e3o e nada\u201d. O Todo-Poderoso vai rir deles, e os ter\u00e1 em esc\u00e1rnio. N\u00f3s n\u00e3o pregamos esta doutrina para desculp\u00e1-los, e sim para torn\u00e1-los humildes. Possuir uma m\u00e1 natureza \u00e9 tanto minha culpa como minha terr\u00edvel calamidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um pecado que ser\u00e1 cobrado do homem. Quando eles n\u00e3o v\u00eam a Cristo \u00e9 o pecado que os mant\u00e9m afastados. Aquele que n\u00e3o prega isso, duvido que seja fiel a Deus e \u00e0 sua pr\u00f3pria consci\u00eancia. Vai ent\u00e3o para casa, meu amigo, com este pensamento: \u201cEu sou por natureza t\u00e3o perverso que n\u00e3o virei a Cristo, e essa perversidade da minha natureza \u00e9 o meu pecado. Eu mere\u00e7o ser lan\u00e7ado ao inferno por isso\u201d. E se este pensamento n\u00e3o humilhar, o Esp\u00edrito usando o mesmo, nada poder\u00e1 faz\u00ea-lo. Na prega\u00e7\u00e3o de hoje eu n\u00e3o exaltei a natureza humana, por\u00e9m rebaixei-a. Deus nos humilhe a todos. Am\u00e9m!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Serm\u00e3o pregado na Manh\u00e3 de Domingo, 2 de dezembro de 1855 pelo Reverendo C. H. Spurgeon, na Capela de New Park Street, Southwark (Inglaterra).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: <\/strong>Odayr Olivetti<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cMas n\u00e3o quereis vir a mim para terdes vida\u201d (Jo\u00e3o 5.40). Este texto \u00e9 usado pelos arminianos como uma das suas grandes armas e frequentemente descarregada com um barulho terr\u00edvel contra os pobres crist\u00e3os chamados calvinistas. Nesta manh\u00e3 eu pretendo apontar a arma, ou melhor, vir\u00e1-la contra os inimigos, porque ela nunca pertenceu a eles: [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-77","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sermoes"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\r\n<title>Livre-arb\u00edtrio \u2014 Um escravo - Spurgeon<\/title>\r\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\r\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77\" \/>\r\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\r\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\r\n<meta property=\"og:title\" content=\"Livre-arb\u00edtrio \u2014 Um escravo - Spurgeon\" \/>\r\n<meta property=\"og:description\" content=\"\u201cMas n\u00e3o quereis vir a mim para terdes vida\u201d (Jo\u00e3o 5.40). Este texto \u00e9 usado pelos arminianos como uma das suas grandes armas e frequentemente descarregada com um barulho terr\u00edvel contra os pobres crist\u00e3os chamados calvinistas. Nesta manh\u00e3 eu pretendo apontar a arma, ou melhor, vir\u00e1-la contra os inimigos, porque ela nunca pertenceu a eles: [&hellip;]\" \/>\r\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77\" \/>\r\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Spurgeon\" \/>\r\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-03-16T20:42:32+00:00\" \/>\r\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-03-17T12:55:07+00:00\" \/>\r\n<meta name=\"author\" content=\"admin\" \/>\r\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\r\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"admin\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"38 minutos\" \/>\r\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77\"},\"author\":{\"name\":\"admin\",\"@id\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/#\/schema\/person\/f9128a9e904ab538fd0c8ecf05e5d6dc\"},\"headline\":\"Livre-arb\u00edtrio \u2014 Um escravo\",\"datePublished\":\"2026-03-16T20:42:32+00:00\",\"dateModified\":\"2026-03-17T12:55:07+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77\"},\"wordCount\":7459,\"articleSection\":[\"Serm\u00f5es\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77\",\"url\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77\",\"name\":\"Livre-arb\u00edtrio \u2014 Um escravo - Spurgeon\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/#website\"},\"datePublished\":\"2026-03-16T20:42:32+00:00\",\"dateModified\":\"2026-03-17T12:55:07+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/#\/schema\/person\/f9128a9e904ab538fd0c8ecf05e5d6dc\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Livre-arb\u00edtrio \u2014 Um escravo\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/#website\",\"url\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/\",\"name\":\"Spurgeon\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/#\/schema\/person\/f9128a9e904ab538fd0c8ecf05e5d6dc\",\"name\":\"admin\",\"sameAs\":[\"http:\/\/spurgeon.com.br\"],\"url\":\"https:\/\/spurgeon.com.br\/?author=1\"}]}<\/script>\r\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Livre-arb\u00edtrio \u2014 Um escravo - Spurgeon","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Livre-arb\u00edtrio \u2014 Um escravo - Spurgeon","og_description":"\u201cMas n\u00e3o quereis vir a mim para terdes vida\u201d (Jo\u00e3o 5.40). Este texto \u00e9 usado pelos arminianos como uma das suas grandes armas e frequentemente descarregada com um barulho terr\u00edvel contra os pobres crist\u00e3os chamados calvinistas. Nesta manh\u00e3 eu pretendo apontar a arma, ou melhor, vir\u00e1-la contra os inimigos, porque ela nunca pertenceu a eles: [&hellip;]","og_url":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77","og_site_name":"Spurgeon","article_published_time":"2026-03-16T20:42:32+00:00","article_modified_time":"2026-03-17T12:55:07+00:00","author":"admin","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"admin","Est. tempo de leitura":"38 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77"},"author":{"name":"admin","@id":"https:\/\/spurgeon.com.br\/#\/schema\/person\/f9128a9e904ab538fd0c8ecf05e5d6dc"},"headline":"Livre-arb\u00edtrio \u2014 Um escravo","datePublished":"2026-03-16T20:42:32+00:00","dateModified":"2026-03-17T12:55:07+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77"},"wordCount":7459,"articleSection":["Serm\u00f5es"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77","url":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77","name":"Livre-arb\u00edtrio \u2014 Um escravo - Spurgeon","isPartOf":{"@id":"https:\/\/spurgeon.com.br\/#website"},"datePublished":"2026-03-16T20:42:32+00:00","dateModified":"2026-03-17T12:55:07+00:00","author":{"@id":"https:\/\/spurgeon.com.br\/#\/schema\/person\/f9128a9e904ab538fd0c8ecf05e5d6dc"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?p=77#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/spurgeon.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Livre-arb\u00edtrio \u2014 Um escravo"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/spurgeon.com.br\/#website","url":"https:\/\/spurgeon.com.br\/","name":"Spurgeon","description":"","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/spurgeon.com.br\/#\/schema\/person\/f9128a9e904ab538fd0c8ecf05e5d6dc","name":"admin","sameAs":["http:\/\/spurgeon.com.br"],"url":"https:\/\/spurgeon.com.br\/?author=1"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spurgeon.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/77","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spurgeon.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spurgeon.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spurgeon.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spurgeon.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=77"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/spurgeon.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/77\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":109,"href":"https:\/\/spurgeon.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/77\/revisions\/109"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spurgeon.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=77"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spurgeon.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=77"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spurgeon.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=77"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}