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Eleição

“Entretanto, devemos nós sempre dar graças a Deus, por vós, irmãos amados pelo Senhor, por isso que Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançar a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Tessalonicenses 2.13-14).

Ainda que na Palavra sagrada não houvesse outro texto, além deste, penso que todos nós estaríamos na obrigação de reconhecer e aceitar a veracidade daquela grande e gloriosa doutrina que declara que, desde o princípio, Deus escolheu a Sua própria família. Entretanto, parece haver na mente humana um arraigado preconceito contra essa doutrina. Pois embora quase todas as demais doutrinas sejam recebidas pelos crentes professos, algumas delas acolhidas com cautela e outras com deleite, contudo, no caso dessa doutrina, com frequência verifica-se desconsideração e repúdio. Em muitos dos nossos púlpitos, muitos considerariam um grave erro, uma traição mesmo, se alguém pregasse um sermão a respeito da eleição, porquanto eles não poderiam extrair dali um discurso “prático”, conforme asseveram.

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Livre-arbítrio — Um escravo


“Mas não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5.40)

Este texto é usado pelos arminianos como uma das suas grandes armas e frequentemente descarregada com um barulho terrível contra os pobres cristãos chamados calvinistas. Nesta manhã eu pretendo apontar a arma, ou melhor, vira-la contra os inimigos, porque ela nunca pertenceu a eles: jamais foi fabricada na forja deles. Pelo contrário, este texto intenciona ensinar a doutrina exatamente oposta àquela que eles sustentam.

Geralmente quando o texto é empregado, ele é dividido desta forma: primeiro, o homem tem uma vontade. Segundo, ele é inteiramente livre. Terceiro, os homens tem que querer por sua própria vontade vir a Cristo, de outra maneira eles não serão salvos. Ora, nós não utilizaremos tais divisões, mas nos empenharemos em dar uma olhada no texto com mais precaução: e não porque existam nele as palavras “querer” ou “não querer”, chegaremos à conclusão de que ele ensina a doutrina do livre-arbítrio.